A Quaresma é tempo de reconciliação. Por isso São Paulo é veemente: "Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus." (2Cor 5, 20). É a oportunidade que temos de reconciliação para nos preparar bem para a Santa Páscoa. Chegar à Páscoa como "criaturas novas" (2Cor 5, 17). Ressuscitados com o Ressuscitado! Por isso o apelo da volta. Volta para a terra (cf Js 5, 9a.10-12). Volta para a casa (cf Lc15, 1-3.11-32). Volta para a graça (cf 2Cor 5, 17-21).
No inicio da celebração cumprimentamos a todos: "Bem vindos!", "Que bom que você veio"... É assim que Deus fala também para nós. Que bom estar de volta à Terra Prometida. Que bom estar de volta à casa do Pai das Misericórdias. O texto de Lc 15 merece ser lido todo. No começo tem as duas historinhas do pastor que busca a ovelha perdida e ao encontrá-la faz uma festa (Lc15, 3-7) e a da mulher que tinha uma coleção de moedas e perde uma e depois de encontrá-la faz uma festa (Lc 15, 8-10). Em seguida vem a mais bela história da Bíblia - a chamada parábola do filho pródigo. Detalhes perfeitos, narrativa que prende, lições numerosas... Que termina também com uma festa.
Dom Angélico, ao pregar nosso retiro anual, refletindo sobre essa bela história diz que há um terceiro filho: o do meio. Curioso, quer saber detalhes do filho mais novo: como era a vida lá no mundão, prazeres, bebidas, mulheres... O irmão mais novo tentou de todos os modos dissuadi-lo. Não conseguiu. Ele fugiu de casa, iludido e ofuscado pelos apelos do mundo. E nunca mais voltou... Voltar para Deus. Esse é o apelo que Deus faz a cada um de nós. Também para nós Ele está com os braços abertos para nos acolher como o Pai das Misericórdias dizendo: "Bem vindos!", "Que bom que você veio", "Que bom que você está de volta!". E Ele nos prepara para o Banquete. Para uma festa. No nosso encontro com Ele. No nosso encontro com os irmãos.
A Campanha da Fraternidade nos faz um apelo para que a economia possa gerar vida. O evangelho nos mostra que o consumismo gera a morte. É preciso ter a atitude do irmão mais novo e "cair em si" (Lc 15,17). Tomar consciência da necessidade de se construir um modelo novo de economia, semelhante ao Pai das Misericórdias que não guarda nada para si: reparte a herança, acolhe o filho lhe dando roupas novas, sandálias nos pés, anel no dedo... Partilha do que é seu. Profundas lições que nos guiam para a Páscoa. Para que cheguemos lá reconciliados: com Deus, com os irmãos, consigo mesmo e com a natureza. "Deixai-vos reconciliar...".