"Deus é amor", diz a primeira carta de João (1 Jo 4, 8). Esse amor não se contém, ele precisa amar sempre mais. Comunica-se na criação do mundo e depois na pessoa de Jesus. De alguma forma o próprio Deus se auto-envia pela missão do Filho e do Espírito, através dos quais se revela como Amor. (Cf Jo 14, 9)
A tradição bíblica põe a ação do Espírito no começo do mundo, o sopro que comunica a vida. Na vida de Jesus, o missionário do Pai, toda a sua ação é conduzida pelo Espírito. Jesus é Aquele que se deixa conduzir, se entrega à ação do Pai. Desde o seu nascimento, em sua vida pública, até a morte e ressurreição é sempre o Espírito que o impulsiona. O Espírito o conduziu para o deserto para iniciá-lo na sua missão (Cf Lc 4,1-13), o incentivou a proclamar seu plano de ação na sinagoga de Nazaré (Cf Lc 4,14-21). Jesus tem plena certeza de que toda sua ação será conduzida pelo Espírito. Ambos estão em plena intimidade de amor. Um se abandona no outro, um inspira o outro.
Do mesmo modo o Espírito também inspira a vida da comunidade. É o Espírito que age no começo das primeiras comunidades cristãs no dia de Pentecostes (Cf At 2,1-12), e com Jesus Ressuscitado enviará os discípulos: "Como o Pai me enviou, eu vos envio" (Jo 20, 21). Os discípulos são enviados a proclamar a Boa Nova de Cristo pela ação do Espírito sendo no mundo testemunhas fiéis daquilo que viram e ouviram, pois a missão deles encontra seu fundamento na missão de Cristo, eles, como continuadores do plano de Jesus co-participam da sua missão.
O discípulo precisa reconhecer que a iniciativa da missão é sempre obra do Espírito, a ação humana é somente uma resposta por amor diante do chamado e do envio. É o Espírito que impele a ir sempre mais além, é ele que impulsiona o discípulo para "fora de Jerusalém". Sendo Ele o único protagonista da missão, cabe a toda a comunidade cristã escutar a ação de Deus e a inspiração desse mesmo Espírito, abrindo-se à sua ação e tornando-se uma comunidade missionária deixando ser conduzida e inspirada pelo Espírito.