É muito comum entre os jovens se dizer: "o que vale é viver intensamente o momento, sem pensar no futuro". Frase aparentemente bonita, mas perigosa porque pretende incentivar que se retire toda responsabilidade dos atos. E quando se dispensa a responsabilidade, a liberdade também é descartada. Liberdade e responsabilidade não se opõem, exigem-se uma a outra.
Quando não se é responsável pelo que se faz e se pensa, facilmente se torna escravo de tendências, do "todos fazem", da publicidade mesquinha, de valores duvidosos. Aquela liberdade para a qual Cristo nos libertou (cf. Gálatas 5, 1) pode facilmente ser trocada pelo jugo, pela escravidão e então, ver toda beleza e horizonte de vida serem desmoronados.
Mas podemos reinventar essa frase, orientando-a ao princípio que nos comunica vida, liberdade e amor: Deus ama a cada um de nós com uma profundidade e intensidade inimagináveis. Portanto,o que realmente vale é "viver intensamente o amor de Deus". Quem vive o amor de Deus pode fazer tudo, pois esse tudo só pode ser reflexo desse amor. "Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos" (Santo Agostinho).
Viver intensamente o Amor de Deus significa viver na presença de Deus, crer e seguir a Cristo, amor escancarado de Deus pela humanidade. Deus nos ama com amor intenso. Por isso mesmo não nos recusa, não nos rejeita, apesar de ferirmos o seu amor com nossos pecados. Ao contrário, em seu grande amor desafia a cada um de nós a mudar de vida, a nos tornarmos santos, mais perfeitos (cf. Mateus 5, 48).
Nada fácil essa empreitada, sobretudo nesse nosso tempo marcado por uma mentalidade hostil a Jesus Cristo, que nos induz a sermos hostis a Ele a sua Igreja. Essa mentalidade quer retirar dos caminhos da vida os sinais que nos remetem a Deus, cuja imagem nos foi revelada em Cristo Jesus (cf. Colossenses 1, 15). Sobretudo ser um convicto jovem cristão, discípulo missionário de Jesus Cristo. Há um forte e persuasivo discurso que quer que você, jovem, de modo especial, exclua Deus de seu caminho, que você retire a visão de Deus de seu horizonte de vida. Mas a Cruz do Senhor, cravada na terra e no horizonte da humanidade é muito mais eloquente. Na morte e ressurreição de Jesus se encontra a nossa vida.
O nosso coração jovem é marcado por profundas perguntas, que o mundo tenta mascarar mas não consegue silenciar. Somente responderemos satisfatoriamente se as fizermos tendo como plano de fundo a seguinte: Senhor, que queres de mim? Não tenha medo dessa pergunta, jovem. Confie em Cristo e no Amor com o qual Ele nos ama. Ele nos chama para o discipulado, para aprender dEle que é nosso Mestre e Senhor a orientar nossa vida para Deus e ao serviço do próximo. Só Cristo pode conferir à nossa vida o seu significado pleno.
Na e com a Igreja encontraremos o rosto de Cristo, escutaremos suas suaves e desafiadoras palavras. Na Igreja encontramos o verdadeiro alimento na Palavra de Deus e nos Sacramentos que nos comunicam a Graça que a Palavra nos anuncia. É na Igreja, em seus ensinamentos, que encontraremos Jesus Cristo que é o mesmo ontem, hoje e sempre, que não nos engana com palavras vazias nem valores furados.
Jovem, volta para casa. A Casa de Deus também é sua. Transforme, por sua vez, a sua casa, seu estabelecimento de ensino, seu trabalho, seu namoro, SUA VIDA INTEIRA em habitação de Deus.