Artigo

Pe. Ronaldo Borel de Freitas

A SAÚDE SOB O OLHAR DA FÉ E DA ESPERANÇA

Por Pe. Ronaldo Borel de Freitas

 

“Espera no Senhor, sê firme! Fortalece teu coração e espera no Senhor! (Sl 26, 13): estas palavras contidas na Sagrada Escritura (precisamente no Salmo 26), querem expressar nossa total confiança em Deus; exortando-nos a entregar a vida, sonhos e projetos nas mãos do Senhor. Esperar no Senhor é uma atitude dos corajosos e fortes. Mas, o fato é que, a depender do que estamos vivendo, a nossa fragilidade se manifesta com uma força extraordinária. Somos postos à prova e vemos nossa fé fraquejar.

 

Viver os tormentos de uma enfermidade não é tarefa fácil. A doença é um território a ser desbravado com paciência, o que naturalmente nos faz sentir totalmente vulneráveis e, ao mesmo tempo, dependentes uns dos outros. Quando estamos doentes, salta aos nossos olhos a certeza de que não passamos de frágeis criaturas; e que, portanto, precisamos assumir ainda mais nossa dependência de Deus: o criador. A doença castiga, gera impotência, incerteza, temor e ainda “nos faz questionar sobre o sentido da vida, uma pergunta que na fé, se dirige a Deus” (mensagem de Sua Santidade Papa Francisco para o XXIX dia mundial do doente).

 

A fé, quando colocada à prova, não quer evidenciar apenas uma experiência negativa; pelo contrário, sinaliza uma perspectiva profundamente positiva; pois, temos uma oportunidade de ressignificar o real sentido de como estamos vivendo; até mesmo identificamos como a doença poderá estreitar nossos laços de proximidade e comprometimento com o seguimento a Jesus Cristo; o sofrimento provocado pela doença nos identificará com o sofrer de Jesus no mistério da Cruz.

 

O sofrimento do enfermo é diminuído, quando constatamos que existem profissionais de saúde que se dedicam com generosidade, sinceridade e disponibilidade no cuidado com os doentes. Esse gesto faz toda diferença no processo de recuperação e de reencontro com o restabelecimento da saúde da pessoa. Na lógica cristã, podemos afirmar que esses profissionais demonstram senso de responsabilidade e amor ao próximo; colocam-se como servidores, sem esperar recompensa alguma. Essa atitude renova as esperanças dos doentes, bem como dos familiares; que se sentem profundamente amados; e veem, nestes homens e mulheres de boa vontade, instrumentos da graça e do amor de Deus.

 

A propósito dos familiares das pessoas enfermas, estes são os mais desafiados a esperar confiantes no Senhor. Embora sofram junto, em proporção diferente, sabem que Deus está presente junto deles, não os abandona. Eles sabem que, nas tempestades da vida, Deus sempre estenderá a mão para reerguê-los em meio ao mar bravio e impiedoso. Os familiares devem nutrir a esperança confiantes que, em breve, o tempo se acalmará.

 

Cervantes, no grandioso clássico Dom Quixote de La Mancha, ajuda-nos a esperançar:

 

“Sabe, Sancho (…), todas essas tempestades que acontecem conosco são sinais de que em breve o tempo se acalmará; porque não é possível que o bem e o mal durem para sempre, e segue-se que, havendo o mal durado muito tempo, o bem deve estar por perto.”