Artigo

Seminarista Pedro Henrique De Angeli

JOÃO BATISTA: EXEMPLO DE VOCAÇÃO

Por Seminarista Pedro Henrique De Angeli

 

“Quanto a ti, menino, serás chamado profeta do Altíssimo” Lc 1, 76

 

No dia 24 de junho celebramos a solenidade do nascimento de São João Batista, o precursor de Jesus Cristo, profeta por excelência que caminha diante da face de Deus. Sinto alegria em tê-lo como padroeiro da minha Comunidade e Paróquia de origem em Jaciguá, pois, diante da figura de João Batista temos a oportunidade de trazer muitos traços de sua vida para a nossa. Além disso, na história do povo de Deus, João ocupa um lugar incomparável.

 

Deus busca corações livres e isso é altamente verdadeiro em João. Ele é PRECURSOR, pois prepara os caminhos do Senhor e instrui o povo a reconhecer a salvação – Que linda missão! O grande profeta sabe que o verdadeiro salvador é Jesus e não se importa em diminuir para que o Mestre cresça sempre mais na vida dos que o seguem e seja apresentado aqueles que ainda não o conhecem (cf Jo 3, 30).

 

João é aquele que sabe seu lugar. Sabe o lugar em que Deus o quer. Sabe apontar para Aquele que dá a vida. João está em perfeita comunhão com o Espírito Santo, sendo Arauto do Deus Altíssimo. Por isso, ele tem autoridade e pode afirmar com toda a força: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf Jo 1, 29).

 

O próprio Jesus afirma que João é “o maior nascido de mulher” (cf Lc 7, 28). Com efeito, no Prefácio da Missa da Natividade de São João Batista diz-se uma linda expressão: “Batizou o próprio autor do batismo”. Aqui, está o momento mais solene da vida de João onde ecoa uma verdade admirável: No gesto de admitir-se na fila do batismo nas águas do rio Jordão, Jesus dá autenticidade à missão do Batista. Antes que João dê testemunho de Jesus, é primeiramente Jesus que dá testemunho de João. Confirma-o no papel único que é seu.

 

Em seu magistério, o Papa Francisco destaca a necessidade de “compreender que a salvação não é uma escalada para a glória, mas um abaixamento por amor. É fazer-nos humildes” (Papa Francisco, Homilia da Quarta-feira de cinzas, 2021). Por conseguinte, João, sendo TESTEMUNHA de Cristo, dá-nos o verdadeiro exemplo disso. Devemos anunciar o Reino de Deus como humildes servos: “Eis que vem após mim aquele de quem não sou digno de desatar a correia das sandálias” (cf Mc 1, 7).

 

Por fim, João também é MÁRTIR. Sua morte sela por um supremo ato de amor todo o testemunho de sua vida. Ele morreu, como consequência de, a todo momento, ter sido fiel a Deus e a si mesmo. Sendo a voz que clama no deserto (cf Jo 1, 23), como profeta enviado de Deus, João pregava um batismo de conversão (cf At 13, 24), denunciava as violações da Lei sem fazer acepção de pessoas, por isso enfrentou a raiva dos poderosos sendo sempre perseguido.

 

A vocação de João é, para nós, exemplar. Já que, insere-o na comunidade para nela ser sinal de serviço e anúncio. Não há felicidade em uma vida que de nada serve, sem comprometimento. Assim, a vocação de João se revela a nós como o modelo de toda vocação, enquanto toda vocação é uma missão. Tal como João, que desde o ventre materno exultou de alegria na presença do salvador (cf Lc 1, 41), também nós, somos escolhidos por Deus na missão específica de nossa vida, chamados a testemunhar com alegria a presença do Senhor no meio de nós.

 

A exemplo de São João Batista, homem justo e santo, nos tornemos anunciadores da Boa Nova, engajados nos caminhos do Senhor, sendo testemunhas da verdade e da luz para que, então, tenhamos a graça de dizer, de forma plena, como João Batista: “Eu vi e dou testemunho que Jesus Cristo é o Eleito de Deus” (cf Jo 1, 34).