Artigo

Seminarista Pedro Henrique De Angeli

A PALAVRA DE DEUS: FORÇA NO CAMINHO

Por Seminarista Pedro Henrique De Angeli

 

“A Palavra se fez carne e habitou entre nós”

(Jo 1, 14)

Este ano, a Igreja no Brasil comemora o mês da Bíblia apoiando-se na Carta de São Paulo Apóstolo aos Gálatas e tem como lema: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3, 28d). Para que esse tempo dê muitos frutos, precisamos vivê-lo de coração aberto e engajados na oração e na escuta da Palavra de Deus, que é força para nossa caminhada.

Primeiramente, é importante percebemos que, antes mesmo de desejarmos nos aproximar de Deus, é Ele mesmo quem Se dá a conhecer, como mistério de amor infinito pelo qual nos comunica eficazmente sua graça e seu Espírito. Em suma, O Verbo de Deus, pelo qual tudo começou a existir, Se “fez carne” (cf Jo 1,14). Portanto, Jesus é a própria Palavra de Deus! Ele veio a nós como homem e deixou para todos os Seus ensinamentos. Por isso, na Palavra, revela-se o Ser de Deus.

A que podemos comparar a Palavra de Deus? “Desça como a chuva do céu a minha doutrina e a minha voz como orvalho sobre o gramado que cresce”, canta Moisés (cf. Dt 32, 2), fazendo analogia à Palavra de Deus. Admirável! A Palavra é conforto para nossa alma, mas também é ímpeto que provoca mudança de vida: postura de quem ouve a voz de Deus e a coloca em prática.

“Muitos discípulos disseram: Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6, 60). Esse deve ser nosso questionamento: Conseguimos escutar a palavra do Senhor? São palavras que poucos querem seguir, pois implicam o modo de viver de cada um, mas quem as segue encontra paz, pois, como afirma Pedro, somente o Senhor “tem palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).

Jesus compara a Palavra de Deus à semente que é lançada na terra. Se bem recebida e cuidada, produz muitos frutos (Mt 13, 3-9). Para nos ajudar, nesse sentido, podemos utilizar o método da Lectio Divina – Leitura Divina – que consiste na leitura orante das Sagradas Escrituras. Esse recurso é como uma pausa restauradora para a nossa caminhada de vida.

Para isso, pode-se utilizar um salmo, um texto Bíblico ou o Evangelho do dia. Aqui, o primeiro passo é a Leitura calma sobre cada palavra da Escritura, não para expandir o conhecimento, mas para encontrar Deus na Palavra. Quando me sinto tocado por uma expressão ou palavra, percebo-me próximo de Deus que fala, e fala para mim. É a semente que é lançada.

O segundo passo é o da Meditação. Nisso, deixo a Palavra cair no meu coração. Repito-a algumas vezes. Vou “degustando” até que deixe um novo sabor, um novo sentimento e, após, reflito: por meio dessa Palavra, como vejo a mim mesmo, o mundo e Deus? Como eu me sinto? Como percebo o solo onde cai a semente da Palavra? Pedregoso? Espinhoso? Seco? Em terra boa?

O terceiro passo é a Oração, que consiste em exprimir, numa oração bem curta, o desejo que nasce em mim por meio da meditação. Como posso expressar a Deus aquilo que sinto e me vem mais forte nesse ponto? É o momento de cuidar da semente, estar atento à sua necessidade de água e de sol, para que cresça saudável.

Por fim, o quarto passo é a Contemplação. Nela, paro de refletir sobre a Palavra. Fico apenas em silêncio diante de Deus. A Palavra levou-me ao silêncio. A palavra levou-me ao que não pode ser dito – o Mistério – mas que consigo senti-lo. Nesse lugar, a semente cria raízes e é capaz de dar frutos abundantes.

O Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), afirma: “[...] o bem tende sempre a comunicar-se” (FRANCISCO, 2013, §9). Por isso, a alegria que experimentamos por meio da comunhão com Deus deve tornar-se um impulso para a nossa missão de Evangelizar: Tornar nossos atos como os de Cristo, imitadores das atitudes evangélicas, promotores da unidade e da paz.

O Evangelho é a boa notícia que devemos anunciar a todos os nossos irmãos e irmãs, pois não se pode excluir ninguém. Quando anunciamos o Evangelho, anunciamos Cristo, “Boa-Nova de valor eterno” (Ap 14, 6), e só anunciamos aquilo que trazemos em nosso coração. Por isso, é essencial que dediquemos um tempo do nosso dia para a oração pessoal, para a Leitura Orante. É por meio da escuta da Palavra de Deus que daremos passos firmes na direção do nosso Mestre, Jesus. “Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13, 9).