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16.11.2021

DICAS DE HOMILIA - Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo

O Poder do Amor - O Testemunho da Verdade - O Reinado de Deus

(Dn 7,13-14 / Sl 92 / Ap 1,5-8 / Jo 18,33b-37)

O Poder do Amor - O Testemunho da Verdade - O Reinado de Deus

Com a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo se conclui o Ano Litúrgico, dando início ao período do Advento, tempo importante de preparação para a Celebração do Natal do Senhor. Na Segunda Leitura, retirada do Livro do Apocalipse, encontra-se a afirmação sobre o Poder do Amor de Cristo, capaz de resgatar a humanidade de seus pecados, por sua entrega total na cruz. A força inabalável desse amor o conduziu diante de Pilatos, como relata o Quarto Evangelho, momento no qual Jesus afirma, mais uma vez, o que durante toda a sua vida ele viveu, isto é, a Verdade do amor de Deus. Sendo assim, torna-se clara a afirmação de Jesus a Pilatos, ao dizer que o seu reino não é desse mundo, ou seja, o seu Reinado é fundado num amor maior.

A Segunda Leitura, retirada do Livro do Apocalipse, apresenta Jesus como a Testemunha Fiel, o Ressuscitado que, por meio de seu infinito amor, resgatou a humanidade de seus pecados. O autor exalta a cruz de Cristo e a sua ação salvífica, na qual toda a humanidade recebe a graça da filiação divina. Com tamanho Amor, Cristo demonstra o seu poder ao libertar dos pecados aqueles que são chamados à vida em comunhão plena com o Senhor. Desse modo, na cruz, o autor do Apocalipse, vê refletido o infinito amor de Cristo manifestado por uma entrega gratuita e total, sublinhando a força deste amor que brilha na cruz e é capaz de iluminar toda a humanidade. A graça da redenção alcançada através da morte e ressurreição de Cristo é manifestação do Poder do Amor de Deus, que conquista para o Seu Reino um novo povo de sacerdotes, isto é, discípulos e discípulas de Seu Filho. Sendo assim, a cruz é fundamental na proclamação do Evangelho e na compreensão sobre a proposta de seu Reino. Pois, é um ponto de referência para a fé, que nasce na realidade da cruz e para ela retorna enquanto esperança, já que, o cristão pela fé participa da morte de Cristo na cruz.

Em Cristo, Crucificado Ressuscitado, o discípulo põe toda a sua expectativa de uma nova realidade de vida junto de Deus. Por isso, o Poder do Amor de Cristo é uma fonte que sustenta a vida e a missão da comunidade e convida os cristãos a abraçarem e a viverem os valores do Evangelho. Um força capaz de convidar e dirigir os passos dos homens, levando-os à uma vida de plena comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs, principalmente com os que mais sofrem. De modo que, a experiência do Amor de Cristo seja a força que impulsione a todos no compromisso de construção do Reino de Deus.

No Evangelho, diante de Pilatos, Jesus afirma que veio dar Testemunho da Verdade, algo que está intimamente unido com a sua entrega total na cruz. De fato, é por meio do Amor que Ele manifesta o seu Poder e revela a sua Verdade, não como os poderosos deste mundo que dominam e exploram, mas, como Aquele que dá a vida pelos seus. Uma Verdade testemunhada pelo próprio Jesus durante toda a sua vida pública e, de maneira especial, no momento em que assume totalmente a vontade do Pai, entregando-se na Cruz. Em seu diálogo com Pilatos, Jesus fala da raiz do Reino, isto é a Verdade, que significa a Sua total fidelidade aos planos de amor de Deus, pela humanidade. De fato, a Verdade de Cristo é a manifestação concreta de sua fidelidade ao Pai, de seu compromisso com o Seu plano de Amor. Algo manifestado desde a criação até a salvação realizada na Cruz de Cristo, um gesto de Amor e de Verdade, que abre um tempo completamente novo. Desse modo, na Palavra de Jesus sobre a Verdade está revelada a obra do Amor de Deus, ou seja, a afirmação do Seu desejo de resgatar a humanidade marcada pelo pecado.

Na Cruz de Cristo, onde Ele reina vitorioso sobre o pecado e o mal, Deus demonstra a sua Fidelidade para com o Seu projeto de Amor, convidando a todos a se aproximarem do Seu Amor infinito. Sendo assim, o Quarto Evangelho, proclamado na Solenidade de Cristo Rei do Universo, apresenta Jesus em seu julgamento, no momento de sua maior fragilidade. De fato, nesse momento de fragilidade, no qual Ele se encontra abandonado pelos seus discípulos, Ele manifesta todo o Poder do seu Amor, por meio de sua entrega total na cruz. Torna-se claro, para todos os seus discípulos e discípulas de todos os tempos que o Reino de Deus tem como fundamento um amor que vai além dos limites, que se doa e se entrega, um amor sinal do serviço e da disponibilidade total. Por isso, ao afirmar que veio dar Testemunho da Verdade, Jesus revela a todos que o Seu Reino não é desse mundo, mas, é construído por meio de laços concretos de amor e solidariedade. Algo que ajuda a compreender quando Ele afirma que veio dar Testemunho da Verdade e quem é da Verdade escuta a Sua voz, ou seja, Ele aponta o caminho no qual os seus discípulos e discípulas devem seguir. Ou seja, o caminho da identificação total com o desejo e a vontade do Pai, que deseja fazer desse mundo, por meio de gestos de compromisso com a vida, a Casa Comum, para os seus filhos e filhas. Desse modo, unidos à vontade do Pai, manifestada na Palavra de Jesus, os seus filhos e filhas são formados, como verdadeiros construtores do Reino que deve vir. É Jesus Cristo a Verdade do Pai e unidos a Ele cada discípulo e discípula missionários são santificados, formados e enviados, como anunciadores do Reino, principalmente juntos aos que mais precisam.

Ainda no Evangelho, Jesus afirma, diante de Pilatos, que o seu Reino não é desse mundo, algo que indica a diferença clara entre os reinos da terra e o de Deus. Um elemento importante para a compreensão do Reino de Deus é a comunhão e intimidade de Jesus com o Pai, algo que definiu toda a Sua vida e missão. Sendo assim, o Reino de Deus se expressa no convite divino feito aos seus filhos e filhas, por meio de Cristo, à uma vida de profunda comunhão em seu Amor de Pai. O que ressalta o valor do Reino de Deus não como algo a ser esperado, como um Reino futuro, mas, sobretudo, na proposta da construção de um Reino já agora, presente na história. De fato, o desejo de Deus para os seus filhos e filhas é a vida plena, marcada pela abundância de todos os bens e condições para que todos cresçam e se realizem em suas potencialidades. Um projeto que nasce em seu Amor de Pai e é plenamente revelado por meio de Seu Filho, que por meio de Palavras e Ações, convida a todos que são da Verdade a escutar e seguir a Sua voz. Nas atitudes e escolhas de Jesus na direção dos pequenos e pobres, anunciando, de modo firme e claro, o desejo de Deus para os seus filhos, encontra-se a prefiguração do Reino de Deus. Desse modo, todos os que escutam o Filho, são convidados a participarem e se empenharem na construção do Reino de Deus, para todos os seus filhos e filhas. A participação do Reino de Deus, requer de todos os cristãos uma resposta e postura claras, visto que, sentar-se à mesa do Reino significa comprometer-se em viver segundo os valores do Evangelho. Aqueles que aceitaram participar, devem necessariamente comprometer-se com a construção do Reino de Deus. Sendo assim, os verdadeiros discípulos missionários de Cristo, chamados pelo Senhor para a construção do seu Reino, devem trazer na vida, as marcas: do Amor, da Verdade, da Misericórdia, da Compaixão e da Solidariedade, principalmente como os mais pobres, que são os preferidos do Reino de Deus.       

Que a Liturgia da Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo seja uma oportunidade para que todos se coloquem diante do Poder do Amor de Cristo. A fim de que tocados por tamanho amor, todos sejam capazes de abraçar o convite de Cristo de Testemunharem a Verdade de seu Amor, manifestado na Sua Cruz. De modo que, formados pelo Amor Compassivo de Cristo e pela Verdade do Reino, os seus discípulos e discípulas missionários se tornem construtores do Reino de Paz e Justiça, proposto pelo Senhor.                           

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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