Quando o novo começa por dentro

Pe. José Carlos Ferreira da Silva

A virada de ano tem um efeito curioso sobre as pessoas. À meia-noite, brindes são feitos, abraços trocados e, por alguns instantes, parece que tudo pode ser diferente. Mas, quando o dia amanhece, a vida segue praticamente igual. Os mesmos hábitos, os mesmos conflitos, as mesmas desculpas. Isso acontece porque a virada de ano não muda ninguém. O que muda, de fato, são as decisões.

O calendário pode oferecer um marco simbólico, mas não tem poder de transformação. Nenhum número novo apaga erros antigos, cura feridas ou cria disciplina. A mudança real começa quando alguém decide agir diferente, mesmo sem aplausos, mesmo sem clima de celebração. Decidir acordar mais cedo, pedir perdão, encerrar ciclos que machucam ou assumir responsabilidades adiadas não depende de janeiro.

Muitas frustrações surgem porque se deposita esperança demais no tempo e coragem de menos nas escolhas. Espera-se que o ano seja melhor, quando o essencial seria decidir ser melhor. O ano apenas acompanha o caminho que cada um escolhe trilhar.

Decisões verdadeiras costumam ser silenciosas. Elas não precisam de postagens ou listas coloridas. Precisam de constância. Uma decisão firme muda a rotina, ajusta prioridades e, aos poucos, redefine o rumo da vida. É nesse processo que a transformação acontece.

Por isso, talvez o melhor jeito de encarar um novo ano não seja com expectativas exageradas, mas com perguntas honestas. O que precisa ser decidido hoje? O que não pode mais ser adiado? Quando as decisões mudam, o ano muda junto. Sem mágica. Sem contagem regressiva. Apenas com escolhas reais.

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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