Pe. José Carlos Ferreira da Silva
Entre as festas da Epifania e do Batismo do Senhor, o presépio é desmontado nas comunidades e nas famílias católicas. Esse gesto simples marca o fim do ciclo natalino, mas não o fim do aprendizado. O presépio, escola silenciosa, se fecha para que a lição continue na vida cotidiana. O que foi contemplado em silêncio agora precisa ser vivido em gestos, escolhas e atitudes ao longo do ano.
O presépio fala pouco, mas ensina muito. Não há discursos nem explicações longas. Há apenas cenas simples, quase frágeis, que educam o coração de quem se aproxima com atenção.
Ali, a primeira lição é a do silêncio. Num mundo barulhento, o presépio não compete por espaço nem por aplauso. Ele convida a parar. A olhar devagar. A perceber que Deus não entrou na história com estrondo, mas com respiração de criança. Quem aprende a ficar em silêncio diante do presépio começa a escutar melhor a vida, os outros e a própria consciência.
O presépio também ensina a humildade. Deus nasce fora dos palácios, longe do poder, deitado num lugar emprestado. Nada ali é exagerado. Tudo é essencial. Essa cena questiona nossas ambições, nossas vaidades, nossa pressa por reconhecimento. Ela nos lembra que grandeza não é altura, é profundidade. Não é aparecer, é amar.
Há ainda a lição da confiança. Maria e José não têm todas as respostas, mas seguem adiante. Não controlam as circunstâncias, mas permanecem fiéis. O presépio ensina que a fé não elimina a insegurança, mas dá coragem para atravessá-la. Muitas famílias aprendem isso sem palavras, apenas contemplando aquela noite simples e cheia de mistério.
Os pastores completam a aula. Gente comum, trabalhadores anônimos, os primeiros a receber a notícia. O presépio nos educa a não desprezar ninguém. Ele diz, sem dizer, que Deus se revela aos que têm o coração disponível, não aos que se julgam importantes demais para parar e olhar.
Até os animais têm algo a ensinar. Eles não entendem o que acontece, mas estão ali. Aquecem, acompanham, participam. O presépio mostra que a criação inteira é chamada a acolher, a servir, a estar presente. Às vezes, é isso que mais falta: presença simples, sem exigências.
Por fim, o presépio é uma escola de esperança. Um bebê indefeso carrega promessas maiores do que o mundo pode imaginar. Quando tudo parece pequeno demais para mudar alguma coisa, aquela cena afirma o contrário. Deus começa pequeno. A vida nova também.
Por isso, o presépio não precisa de muitas explicações. Ele educa quem se deixa ensinar. Basta chegar perto, fazer silêncio e aprender.