Criada em 02 de fevereiro de 1924 a Paróquia São João Batista, em Muqui, reúne 34 Comunidades Eclesiais de Base.
Pároco: Pe. Enildo Genésio de Souza
Vigário Paroquial: Carlos Renato Carriço Gomes
Síntese Pastoral: Seminarista Taylor Menine Ferrari
Diácono Permanente: João Batista Ribeiro de Vasconcelos
Diácono Permanente: Naércio Henrique Gualandi Castanhi
Paróquia São João Batista
A história da Paróquia São João Batista, em Muqui, teve início ainda antes de sua criação oficial, marcada pela fé dos primeiros moradores da região. De origem majoritariamente católica, essas famílias se mobilizaram para garantir um terreno destinado à construção de uma capela, marco inicial da presença religiosa no local.
O terreno foi doado por João e Manoel Jacintho da Silva, proprietários da Fazenda Boa Esperança, e por João Pedro Vieira Machado, da Fazenda Entre Morros. A primeira capela foi erguida no alto de uma colina, tornando-se a primeira edificação religiosa da região. As obras começaram em 1887 e foram concluídas em 1902. A capela foi abençoada pelo bispo Dom João Batista Nery e dedicada a São João Batista, em devoção a João Corumbá, considerado o primeiro morador do solo muquiense.
No início do século XX, a capela pertencia à Paróquia de São Pedro do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro. As celebrações da Eucaristia eram conduzidas por padres vindos de São Pedro ou de Cachoeiro de Itapemirim. Nos dias sem missa, os fiéis se reuniam para a recitação do terço e da ladainha de Nossa Senhora, mantendo viva a espiritualidade comunitária.
Com o crescimento da cidade, a primeira capela tornou-se insuficiente para atender ao número de fiéis. Entre 1915 e 1917, uma nova capela foi construída no mesmo local, sem que a antiga fosse imediatamente demolida. O primeiro vigário foi o padre Henrique Sissing, sucedido pelo padre Augusto Ferreira dos Santos, responsável pela construção de um coreto nas proximidades da igreja, em 1914.
A Paróquia São João Batista foi oficialmente criada em 23 de janeiro de 1924, por decreto do terceiro bispo diocesano do Espírito Santo, Dom Benedito Paulo Alves de Souza, sendo instalada em 2 de fevereiro do mesmo ano. O primeiro vigário paroquial foi o padre José Bernardino dos Santos, empossado em 29 de janeiro de 1924. A presença permanente de um sacerdote impulsionou a construção da casa paroquial, realizada com o esforço dos próprios fiéis.
Na década de 1930, diante do contínuo crescimento da população, iniciou-se o projeto da atual Igreja Matriz. A planta foi elaborada pelo engenheiro Waldemir Bognadoff, e a execução ficou sob responsabilidade de Américo Maia. Os vitrais, vindos de São Paulo, foram doados por famílias muquienses e confeccionados na tradicional Casa Conrado, da família Sogernicht, o maior ateliê do Brasil no início do século XX. Já o relógio da torre, procedente do Rio de Janeiro, foi um presente do Major Francisco Fortunato Ribeiro.
O pároco que mais se dedicou à conclusão da Matriz foi Frei Pedro Domingos, da Ordem dos Agostinianos Recoletos, que assumiu a paróquia em 1935 e nela permaneceu por 57 anos, até seu falecimento, em 1992. A bênção solene da Igreja Matriz ocorreu em 27 de agosto de 1961, presidida por Dom Luiz Gonzaga Peluso, primeiro bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Os restos mortais de Frei Pedro Domingos estão sepultados na Matriz, e seu legado espiritual e social permanece profundamente enraizado na comunidade.
Ao longo das décadas, diversos religiosos da Ordem dos Agostinianos Recoletos atuaram na paróquia, fortalecendo a evangelização, a formação cristã e as ações pastorais. A Paróquia São João Batista também se destaca pelas vocações religiosas, com padres, freis e seminaristas naturais de Muqui.
Inspirada pelo Concílio Vaticano II, a comunidade organizou as Comunidades Eclesiais de Base, que atualmente somam 36 comunidades distribuídas em oito setores. A vida pastoral é sustentada por pastorais, movimentos e conselhos, como o Conselho Pastoral Paroquial (CPP), o Conselho Administrativo Econômico (CPAE) e a Pastoral do Dízimo.
No campo social, a paróquia mantém importantes iniciativas, entre elas a Obra das Vocações Agostinianas Recoletas, as Obras Sociais de Santa Rita de Cássia e o Lar Frei Pedro, inaugurado em 1974. A vida litúrgica e devocional é marcada por celebrações tradicionais, como a Festa de São João Batista, a Semana Santa, a devoção a Santa Rita de Cássia e a Festa do Lavrador.
Desde 2001, a Escola de Teologia e Pastoral São João Batista contribui para a formação de lideranças cristãs. Nos últimos anos, a paróquia passou por mudanças administrativas, com a entrega à Diocese, a posse de novos sacerdotes e momentos significativos, como falecimentos e ordenações diaconais.
A Paróquia São João Batista permanece como um importante espaço de fé, evangelização, formação e ação social, mantendo vivo o legado dos párocos e religiosos que dedicaram suas vidas ao serviço da comunidade muquiense. Entre os nomes que marcaram essa trajetória estão Frei Enéas Berilli, Frei Pedro Olavo Macedo, padre Galeno Martins de Oliveira, padre João Batista Maroni e, de forma especial, Frei Pedro Domingos, frutos da ação vocacional da própria paróquia.