Joselito Ramalho Nogueira é ordenado bispo da Igreja Católica

“É uma grande alegria celebrar nesta comunidade de vida, de fé e que reconhece: todos estamos na estrada de Jesus”, disse o agora bispo, Dom Joselito Ramalho Nogueira. Nomeado pelo Papa Francisco como Bispo de “Tino” e Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião, no Rio de Janeiro (RJ), ele recebeu a ordenação episcopal em uma cerimônia, neste domingo, 27 de abril, com fiéis de todo sul do Espírito Santo, autoridades, lideranças religiosas e comunitárias.

A solenidade foi aberta ao público e aconteceu na Catedral de São Pedro, no Centro de Cachoeiro de Itapemirim. Entre os bispos presentes, estavam: Dom Ângelo Mezzari, arcebispo de Vitória (ES); Dom Walter Jorge, bispo de União da Vitória (PR); Dom Tiago Stanislaw, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ); Dom José Maria Pereira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ); Dom Décio Sossai Zandonade, bispo emérito de Colatina (ES); Dom Juarez Delorto Secco, bispo de Caratinga (MG); Dom Vicente de Paula Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA); Dom Roque Costa Souza, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ); Dom Antônio Luiz Catelan, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ); Dom Tarcísio Sacaramussa, bispo de Santos (SP); Dom Edivalter Andrade, bispo de Parnaíba (PI); Dom Paulo Bosi Dal´Bó, bispo de São Mateus (ES).

A cerimônia foi presidida pelo bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP (bispo ordenante principal), e concelebrada pelos bispos coordenantes: Dom Andherson Franklin Lustoza de Souza (bispo auxiliar de Vitória) e Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa (bispo de Colatina). Além disso, padres e lideranças da igreja católica de todo o Brasil participaram da celebração.

Proclamado o Evangelho, a Igreja local, por intermédio do Vigário Geral, padre Antônio Tatagiba Vimercat, pediu ao Dom Luiz Fernando Lisboa que ordene o eleito. Joselito, perante os bispos e todos os fiéis, exprimiu sua vontade de exercer o seu ministério de acordo com o pensamento de Cristo e da Igreja, em comunhão com a Ordem dos Bispos, sob a autoridade do sucessor do Apóstolo São Pedro. Pela imposição das mãos dos bispos e a oração de ordenação, foi conferido ao Joselito o dom do Espírito Santo para o múnus de Bispo.

Dom Luiz Fernando proferiu a Oração de Ordenação, proferida também, por todos os bispos que impuseram as mãos sobre o eleito juntamente com o bispo ordenante.

Pela imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do ordinando, enquanto é proferida a Oração de Ordenação, e pela entrega do livro nas mãos do ordenado, manifesta-se que o principal ministério do bispo é a pregação fiel da Palavra de Deus. Pela unção da cabeça, é indicada a participação peculiar do bispo no sacerdócio de Cristo; pela entrega do anel, indica-se a fidelidade do bispo para com a Igreja, esposa de Deus; pela imposição da mitra (o chapéu), é manifestada a incessante procura da santidade; e pela entrega do báculo pastoral (o cajado), confirma-se o múnus de governar a Igreja que lhe é confiada.

À reportagem, Dom Joselito listou as prioridades para o início da sua caminhada episcopal: “A primeira [coisa a se fazer] é me inserir na Arquidiocese do Rio de Janeiro, conhecendo aquele espaço indicado por Dom Orani, sempre com muita fé e confiança no agir de Deus”.

“Jesus, o bom Pastor, nos guia e, também, envia pastores para continuar animando, orientando e sustentando na fé (…) que Deus nos abençoe”, disse o agora bispo Dom Joselito.

Em sua homilia, Dom Luiz Fernando Lisboa destacou o lema episcopal escolhido por Joselito – Ide para a minha vinha (Mt 20,4), enfatizando a vocação do novo bispo.

“O Senhor mais uma vez o chama, envia e lhe confia uma missão. Não é a primeira vez que você escuta essa voz. Desde os tempos de juventude, essa vinha tem nome e rosto para você, Joselito: são as Comunidades Eclesiais de Base, onde a Palavra de Deus se encarnou na vida do povo, onde a partilha substituiu a competição, e onde o Evangelho foi rezado, cantado, celebrado em mutirões de fé e esperança.”

“Foi nesse chão eclesial que sua vocação nasceu e ganhou corpo. Foi com esse jeito de ser Igreja que você foi formado no Seminário Diocesano, e foi assim que exerceu o ministério presbiteral: caminhando com os pobres, celebrando a fé no meio do povo, ouvindo a vida com coração de pastor. E é nessa mesma vinha que hoje, aos 60 anos, o Senhor lhe chama novamente: Ide para minha vinha” — agora, como bispo da Igreja, com as sandálias do episcopado”, afirmou o prelado.
Em 23 de fevereiro de 2025, o Papa Francisco nomeou três novos bispos auxiliares para a arquidiocese do Rio de Janeiro. Entre os escolhidos estava o Dom Joselito Ramalho Nogueira, de 60 anos, até então Vigário Geral da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim e pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Rio Novo do Sul.

Essa é a terceira vez que um padre diocesano do sul do Espírito Santo é ordenado bispo da Igreja Católica.

Dom Juarez Delorto Secco, atual bispo de Caratinga, em Minas Gerais, também foi nomeado pelo Papa Francisco e serviu como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião entre setembro de 2017 e dezembro de 2023. Para esse prelado, Joselito é uma escolha “assertiva” para a igreja particular do Rio de Janeiro.

“Dom Joselito tanto enriquece a Arquidiocese Rio de Janeiro como, também, será enriquecido por ela. [Ele] certamente será muito bem acolhido pelos bispos, padres e por todo povo santo de Deus”, expressou.

Dom Luiz descreveu a cerimônia como histórica. E recordou a nomeação feita pelo Papa Francisco, bem como o falecimento do Papa na última segunda-feira, 21, aos 88 anos, devido a um acidente vascular cerebral (AVC).

“Como ordená-lo, Joselito, Monsenhor Joselito, neste dia, sem falar do Papa Francisco? Como celebrar a Páscoa e fazer festa se estamos de luto? Como viver um luto se estamos na Páscoa e se acreditamos na Ressurreição? Já sabemos as respostas. Neste momento, quero propor uma pequena homenagem a Francisco: fiquemos em pé e em profundo silêncio. Não vamos nos entristecer, nem chorar, mantenhamos a cabeça erguida, os olhos fechados, e cada um, cada uma, pense nalgum gesto, nalguma palavra, alguma atitude de Francisco que deseja que fique eternizada na sua mente e no seu coração”. Neste momento, centenas de fiéis reunidos na assembleia se mantiveram em silêncio. “Agora, de olhos abertos, vamos demonstrar-lhe nosso reconhecimento e carinho, dando-lhe uma grande e calorosa salva de palmas”. Os aplausos duraram, aproximadamente, dois minutos.

​“O Papa Francisco dirigiu muitos ensinamentos a nós bispos: muitas vezes nos chamou atenção, corrigiu-nos com firmeza e carinho, orientou-nos acerca do nosso ministério, cobrou-nos atitudes, valorizou nossos esforços, reconheceu nossa humanidade e nos animou – foi aquele irmão mais velho que sempre nos confirmou na missão e na fidelidade a Jesus. Poderia aqui citar vários dos seus discursos dirigidos a nós, bispos, mas citarei apenas alguns fragmentos. Ele lembrou que nós bispos devemos ser próximos de Deus e do seu povo, frisando que o termômetro da proximidade com Deus é a atenção aos últimos, aos pobres. Lembrou ainda que devemos ser apóstolos da escuta, em 12/09/2019, na ocasião em que recebeu bispos recém-nomeados.

“Ide para minha vinha. Esse é o seu lema. Esse é o seu chamado. Mas não vá como chefe, nem como proprietário. Vá como servo. Vá como pastor com cheiro de ovelhas, como nós pediu o Papa Francisco. Vá como irmão entre os irmãos, como discípulo no meio dos discípulos. Sua missão será cuidar da vinha com o mesmo amor com que o Senhor cuida de você. E que seu ministério seja sempre um sim renovado à Vontade de Deus, à Igreja e ao povo, principalmente aos mais vulneráveis e sofridos do nosso tempo”, desejou o bispo ordenante, que ainda alertou: “Quando os desafios forem grandes, quando a seara parecer cansativa, quando sentir o peso da cruz… lembre-se: o Senhor caminha ao seu lado, e a vinha é Dele”.

Dom Joselito será apresentado como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião no próximo dia 10 de maio. A posse dele está marcada para ocorrer às 8h30 na Catedral Metropolitana, na Lapa, cidade do Rio de Janeiro, caso o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, retorne ao Brasil. Em Roma desde terça-feira, 22, Orani participou do velório e do sepultamento do Papa Francisco e também participará do Conclave para eleição do novo Papa.

Francisco se foi, mas embora seu legado se estenda a todo mundo, ele deixa para a Diocese de Cachoeiro dois presentes: Dom Luiz Fernando, um dos primeiros bispos por ele nomeado, e Dom Joselito, um dos últimos bispos por ele nomeado. Portanto, não há fim… É a Igreja continuando sua missão neste mundo.

 

Fotos

Fotos: André Fachetti

 

Transmissão

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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