A Paróquia São João Batista, localizada no município de Muqui, celebra nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, 102 anos de história, fé e serviços prestados à comunidade local. O aniversário coincide com a Festa da Apresentação do Senhor, ocasião em que a paróquia realiza a tradicional missa em ação de graças, reunindo fiéis de todas as comunidades que compõem a região.
“Para nós é uma alegria, né? Justamente na festa da Apresentação do Senhor, celebrarmos a missa em ação de graças pelos cento e dois anos da Paróquia São João Batista, aqui de Muqui. A paróquia foi criada no dia 23 de janeiro de 1924, e o decreto saiu pouco antes de sua instalação, em 2 de fevereiro de 1924”, destacou o pároco local, Padre Enildo Genésio de Souza. Ele acrescentou: “É um momento de agradecer a Deus pelo caminho percorrido, por essa história de fé, de tradição e de devoção. A missa em ação de graças é também uma recordação do percurso da paróquia. É um momento de unidade das trinta e cinco comunidades que compõem a nossa paróquia: pastorais, movimentos e fiéis. Estamos com o coração agradecido a Deus e pedindo que continue nos abençoando nos próximos anos.”
Padre Enildo explicou que a paróquia esteve, nos últimos anos, sob os cuidados dos agostinianos recoletos e, atualmente, é administrada pelos padres diocesanos. “Cada paróquia é diferente. De 1924 a 1971, foi administrada por padres diocesanos; depois, chegaram os religiosos agostinianos recoletos, que permaneceram até 2024, quando a paróquia retornou à Diocese. Assumimos a administração no dia 15 de dezembro de 2024, em um período de transição. A presença dos agostinianos marcou profundamente a espiritualidade local, sobretudo com a atuação do Colégio Agostiniano. Muqui é uma cidade muito devocional; cerca de setenta por cento da população é católica, segundo o IBGE, o que torna a realidade aqui bem específica em relação a outros lugares onde atuamos”, explicou.
Sobre a missa de celebração dos 102 anos, o pároco informou que ela será realizada às 19 horas, na Matriz São João Batista. “Este templo maravilhoso foi projetado pelo mesmo arquiteto da Catedral de São Pedro de Cachoeiro e da Metropolitana de Vitória. Pouca gente sabe disso, mas é uma das igrejas mais bonitas do Espírito Santo, e temos a missão de cuidar e preservar esse patrimônio religioso, cultural e de fé”, afirmou Padre Enildo.
A história da paróquia começa antes da criação oficial, quando os primeiros habitantes da região, todos de origem católica, decidiram providenciar um terreno para a construção de uma capela. O terreno foi doado por João e Manoel Jacintho da Silva, da Fazenda Boa Esperança, e por João Pedro Vieira Machado, da Fazenda Entre Morros. A primeira capela foi erguida no alto de uma colina, sendo a primeira construção religiosa do local, e sua obra teve início em 1887, sendo concluída em 1902. A capela foi abençoada pelo Bispo Dom João Batista Nery e dedicada a São João Batista, em devoção a João Corumbá, considerado o primeiro morador do solo muquiense.
No início do século XX, a capela pertencia à Paróquia de São Pedro do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, e padres vindos de São Pedro ou de Cachoeiro de Itapemirim celebravam a Eucaristia. Nos demais dias, o povo se reunia para a recitação do terço e da ladainha de Nossa Senhora. Com o crescimento da cidade, a capela tornou-se insuficiente para atender aos fiéis, e entre 1915 e 1917 foi construída uma nova capela no mesmo local, sem a demolição imediata da primeira.
O primeiro vigário da capela foi Padre Henrique Sissing, seguido por Padre Augusto Ferreira dos Santos, que em 1914 construiu um coreto nas proximidades da nova capela. A Paróquia São João Batista foi oficialmente criada em 23 de janeiro de 1924, por decreto do terceiro Bispo Diocesano do Espírito Santo, Dom Benedito Paulo Alves de Souza, e instalada em 2 de fevereiro do mesmo ano. O primeiro vigário paroquial foi Padre José Bernardino dos Santos, empossado em 29 de janeiro de 1924, e a presença de um vigário permanente motivou a construção da casa paroquial pelos próprios fiéis.
Com o contínuo crescimento da região, verificou-se que a segunda capela já não comportava o número de fiéis, e na década de 1930 iniciou-se o projeto da atual Igreja Matriz. O engenheiro Waldemir Bognadoff elaborou a planta, e a execução ficou a cargo de Américo Maia. Os vitrais da igreja vieram de São Paulo, doados por famílias muquienses foram confeccionados na Casa Conrado da familia Sogernicht, o maior Ateliê no Brasil no início do século XX, e o relógio da torre, vindo do Rio de Janeiro, foi presente do Major Francisco Fortunato Ribeiro. O pároco que mais incentivou a conclusão da igreja foi Frei Pedro Domingos, da Ordem dos Agostinianos Recoletos, que assumiu a paróquia em 1935 e permaneceu por 57 anos, até seu falecimento em 1992. A bênção solene da Igreja Matriz ocorreu em 27 de agosto de 1961, celebrada por Dom Luiz Gonzaga Peluso, primeiro bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Os restos mortais de Frei Pedro Domingos estão sepultados na Matriz, e seu legado espiritual e social marcou profundamente a comunidade muquiense.
Ao longo das décadas, diversos religiosos da Ordem dos Agostinianos Recoletos atuaram na paróquia, fortalecendo a evangelização, a formação cristã e as ações pastorais. A Paróquia se orgulha de suas vocações religiosas, com padres, freis e seminaristas naturais de Muqui. Inspirada pelo Concílio Vaticano II, a comunidade organizou as Comunidades Eclesiais de Base, que atualmente somam 36 comunidades distribuídas em oito setores, além de pastorais, movimentos e conselhos, como o Conselho Pastoral Paroquial (CPP), o Conselho Administrativo Econômico (CPAE) e a Pastoral do Dízimo.
No campo social, a paróquia mantém importantes iniciativas, como a Obra das Vocações Agostinianas Recoletas, as Obras Sociais de Santa Rita de Cássia e o Lar Frei Pedro, inaugurado em 1974. A vida litúrgica e devocional é intensa, com celebrações marcantes, como a Festa de São João Batista, a Semana Santa, a devoção a Santa Rita de Cássia e a tradicional Festa do Lavrador. Desde 2001, a Escola de Teologia e Pastoral São João Batista contribui para a formação de lideranças cristãs. Recentemente, a paróquia passou por mudanças administrativas, com a entrega à Diocese, a posse de novos sacerdotes e momentos marcantes, como falecimentos e ordenações diaconais.
A Paróquia São João Batista permanece como um importante espaço de fé, evangelização, formação e ação social, mantendo vivo o legado de todos os párocos e religiosos que dedicaram suas vidas ao serviço da comunidade muquiense. Entre os que marcaram a história da paróquia, destacam-se Frei Enéas Berilli, Frei Pedro Olavo Macedo, Padre Galeno Martins de Oliveira, Padre João Batista Maroni e Frei Pedro Domingos, frutos da ação vocacional da Paróquia.
Lista completa de Párocos da Paróquia São João Batista: Padre José Bernardino dos Santos e Silva; Padre Olivério A. Kraemer; Padre João Tello; Frei Pedro Domingos; Frei Hidelbrando Vicente de Paula (Frei Kiko); Frei Custódio de G. Miranda; Frei José Paulo Viçosi; Frei Raimundo Nonato de Oliveira; Frei Joaquim Canzian; Frei Gracione Augusto Alves; Frei Jonas Gusson; e Padre Enildo Genésio de Souza.
Serviço:
Missa em ação de graças pelos 102 anos da Paróquia São João Batista
Quando: Segunda-feira, 2 de fevereiro, às 19h
Onde: Igreja Matriz de São João Batista, Muqui, ES
Informações adicionais: A Matriz é um dos patrimônios religiosos mais importantes do Espírito Santo, projetada pelo mesmo arquiteto da Catedral de São Pedro de Cachoeiro e da Metropolitana de Vitória. A missa reunirá fiéis das 35 comunidades da paróquia.
Representação (IA)

Igreja Matriz São João Batista


Reportagem produzida em colaboração com Gustavo Lins, da Pascom Diocesana de Cachoeiro de Itapemirim, e com a arquiteta e urbanista Cora Augusta Duarte Aguieiras.