102 anos da Paróquia São João Batista – Muqui (ES)

Gustavo Lins

Antes da criação oficial da Paróquia, é necessário retroceder na história aos primeiros desbravadores da porção de terra denominada Muqui, no sul do Estado do Espírito Santo. Todos eram de origem católica e, movidos pela fé, decidiram desde cedo providenciar um terreno para a construção de uma capela local.

O terreno foi doado por João e Manoel Jacintho da Silva, proprietários da Fazenda Boa Esperança, e por João Pedro Vieira Machado, da Fazenda Entre Morros. A capela foi erguida no alto de uma colina, sendo a primeira construção religiosa do local. As obras tiveram início em 1887 e foram concluídas em 1902. A capela foi abençoada pelo Bispo do Estado do Espírito Santo, Dom João Batista Nery, e recebeu como padroeiro São João Batista, em virtude da devoção de João Corumbá, considerado o primeiro morador do solo muquiense.

No início do século XX, a capela dedicada a São João Batista pertencia à Paróquia de São Pedro do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro. Nessa época, sacerdotes vindos de São Pedro do Itabapoana ou de Cachoeiro de Itapemirim prestavam assistência religiosa à comunidade, celebrando a Eucaristia. Nos demais dias da semana, o povo reunia-se para a recitação do terço e da ladainha de Nossa Senhora.

Com o crescimento da cidade de Muqui e o aumento da população, a capela concluída em 1902 tornou-se insuficiente para acolher o número de fiéis. Tornou-se necessária a construção de uma nova capela no mesmo local, sem a demolição imediata da primeira. As obras tiveram início em 1915 e foram concluídas em 1917.

Consta como primeiro vigário da primeira capela o Padre Henrique Sissing. Até 1910, a capela de São João Batista permaneceu vinculada à Paróquia de São Pedro do Itabapoana, em Cachoeiro de Itapemirim. Em 1913, exercia o ministério em Muqui o Padre Augusto Ferreira dos Santos, que, em 1914, construiu um belo coreto nas proximidades da segunda capela, ainda em fase de construção.

A Paróquia São João Batista de Muqui foi criada oficialmente em 23 de janeiro de 1924, por decreto do terceiro Bispo Diocesano do Estado do Espírito Santo, Dom Benedito Paulo Alves de Souza, sendo desmembrada da Paróquia de São Pedro do Itabapoana em 2 de fevereiro de 1924. O primeiro vigário paroquial foi o Padre José Bernardino dos Santos, empossado em 29 de janeiro de 1924. Com a presença permanente do vigário, surgiu a necessidade da construção de uma casa paroquial, realizada pelos próprios fiéis.

Com o contínuo desenvolvimento da região e o aumento da população, verificou-se que a segunda capela também já não comportava o número de fiéis. Assim, na década de 1930, iniciou-se o projeto de construção de um templo ainda maior. Foi solicitado ao engenheiro Waldemir Bogdanoff a elaboração da planta da nova igreja. As obras tiveram início em 1936 e estenderam-se por 25 anos.

A execução da obra esteve a cargo de Américo Maia. Na Solenidade de São João Batista de 1937, a igreja já possuía cobertura. Os vitrais que ornamentam a Igreja Matriz de São João Batista foram fabricados em São Paulo e no Rio de Janeiro, sendo doados por famílias muquienses. O relógio da torre, vindo do Rio de Janeiro, foi doado pelo Major Francisco Fortunato Ribeiro. Há dúvidas quanto à data exata de sua instalação, se ocorreu por volta de 1914 ou 1915, ou apenas na fase final da construção da terceira igreja.

O pároco que mais incentivou e conduziu as obras da terceira igreja foi o Frei Pedro Domingos, da Ordem dos Agostinianos Recoletos. Em 27 de agosto de 1961, após 25 anos de construção, foi realizada a bênção solene da Igreja Matriz de São João Batista por Dom Luiz Gonzaga Peluso, primeiro bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.

Destaca-se, de modo especial, a atuação do Frei Pedro Domingos, que assumiu a Paróquia em 1935 e nela permaneceu por 57 anos, até seu falecimento em 1992. Seu legado espiritual e social marcou profundamente a comunidade muquiense. Seus restos mortais encontram-se sepultados na Igreja Matriz.

Ao longo dos anos, diversos religiosos da Ordem dos Agostinianos Recoletos atuaram na Paróquia, fortalecendo a evangelização, a formação cristã e as ações pastorais. A Paróquia orgulha-se também de suas vocações religiosas, com padres, freis e seminaristas naturais de Muqui.

Inspirada pelo Concílio Vaticano II, a Paróquia organizou as Comunidades Eclesiais de Base, que atualmente somam 36 comunidades, distribuídas em 8 setores. Foram implantadas diversas pastorais, movimentos e conselhos, como o Conselho Pastoral Paroquial (CPP), o Conselho Administrativo Econômico (CPAE) e a Pastoral do Dízimo.

No campo social, destacam-se a Obra das Vocações Agostinianas Recoletas, as Obras Sociais de Santa Rita de Cássia e o Lar Frei Pedro, abrigo para idosos inaugurado em 1974. A Paróquia mantém intensa vida litúrgica e devocional, com celebrações marcantes, como a Festa de São João Batista, a Semana Santa, a devoção a Santa Rita de Cássia e a tradicional Festa do Lavrador.

Dentre essa rica história da Paróquia São João Batista, destacam-se os que ouviram o chamado do Senhor para servir ao povo de Deus como religiosos e sacerdotes, entre eles: Frei Enéas Berilli, O.A.R.; Frei Pedro Olavo Macedo, O.A.R.; Padre Galeno Martins de Oliveira; Padre João Batista Maroni, entre outros.

Desde 2001, a Escola de Teologia e Pastoral São João Batista contribui para a formação de lideranças cristãs. Recentemente, a Paróquia passou por mudanças administrativas, com a entrega à Diocese, a posse de novos sacerdotes, bem como momentos marcantes, como falecimentos e ordenações diaconais.

A Paróquia São João Batista permanece como um importante espaço de fé, evangelização, formação e ação social para o povo de Muqui.

 

Párocos da Paróquia São João Batista:

  1. Padre José Bernardino dos Santos e Silva
  2. Padre Olivério A. Kraemer
  3. Padre João Tello
  4. Frei Pedro Domingos
  5. Frei Hidelbrando Vicente de Paula (Frei Kiko)
  6. Frei Custódio de G. Miranda
  7. Frei José Paulo Viçosi
  8. Frei Raimundo Nonato de Oliveira
  9. Frei Joaquim Canzian
  10. Frei Gracione Augusto Alves
  11. Frei Jonas Gusson
  12. Padre Enildo Genésio de Souza

 

Compartilhar Post:

Autor:

Gustavo Lins

Últimas notícias