Representantes da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim participam do Encontro Nacional de Assessores das CEBs

Entre os dias 6 e 8 de março, assessoras e assessores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) de diversas regiões do país participaram do Encontro Nacional promovido pelo Iser Assessoria, com o objetivo de refletir sobre a participação da juventude no Intereclesial das CEBs. O encontro aconteceu na Casa de Hospedagens Sagrada Família, em São Paulo (SP), reunindo lideranças, agentes de pastoral e assessores para momentos de escuta, reflexão e partilha sobre os caminhos atuais das CEBs no Brasil.

Representando a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, participaram do encontro os padres João Batista Maroni e Wosley Guimarães Pansini, além da leiga Sueli Moreira Volpini, coordenadora da Pastoral Litúrgica diocesana. Durante o encontro, também foi recordado que o 16º Intereclesial das CEBs será realizado em 2027 na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo.

A programação teve início com um momento de acolhida, oração e partilha sobre os desafios enfrentados pelas comunidades. O clima fraterno marcou todo o encontro, com celebrações, cantos e momentos de espiritualidade que reforçaram o sentido de comunhão e a alegria de viver a fé em comunidade.

Um dos principais temas refletidos foi a relação entre as CEBs e as juventudes. Durante os debates, destacou-se que a presença juvenil nas comunidades hoje se manifesta de formas variadas e nem sempre organizadas em grupos formais. Muitos jovens participam da vida da Igreja por meio da música, da comunicação, da liturgia e de outros serviços, embora nem sempre desenvolvam um forte sentimento de pertença comunitária.

As discussões também apontaram que as comunidades vivem atualmente uma realidade marcada pelo hibridismo, na qual convivem diferentes movimentos, espiritualidades e visões de Igreja. Essa diversidade foi compreendida como parte da dinâmica e da riqueza da vida eclesial contemporânea, ainda que traga novos desafios pastorais.

Outro ponto ressaltado foi que tanto a Igreja quanto as periferias passaram por profundas transformações nas últimas décadas. Por isso, os participantes destacaram a necessidade de um novo olhar pastoral, capaz de discernir o rosto atual das CEBs e compreender os novos contextos sociais e culturais em que elas estão inseridas.

Entre os desafios apontados estão o crescimento do individualismo, o enfraquecimento dos vínculos comunitários e a forte influência das mídias digitais, que muitas vezes moldam a experiência religiosa de maneira individualizada, distante da vivência comunitária.

Durante as partilhas também surgiu a reflexão sobre a chamada “crise de utopia” vivida por muitos cristãos, incluindo lideranças e ministros ordenados. Por muito tempo, o sonho de uma Igreja renovada e de uma sociedade mais justa sustentou a caminhada pastoral. Diante das mudanças sociais e culturais, surge agora o desafio de redescobrir quais sonhos continuam a inspirar e alimentar a missão da Igreja.

Outro aspecto enfatizado foi a importância de fortalecer processos sinodais, nos quais todos sejam sujeitos da caminhada e as juventudes participem não apenas das atividades de evangelização, mas também dos espaços de escuta, discernimento e decisão.

Espiritualidade e esperança como horizonte

Como horizonte para a caminhada das comunidades, o encontro destacou que a oração precisa ser o combustível da vida comunitária. O reencantamento pela experiência comunitária passa pela espiritualidade, inspirada na vivência das primeiras comunidades cristãs descritas em Atos 2,42, marcadas pela escuta da Palavra, pela comunhão, pela partilha e pela oração.

Os participantes também reconheceram que não é possível impor um único modo de ser Igreja ou exigir que todos assumam imediatamente uma postura militante. Antes de tudo, é necessário encantar, acolher e alimentar a fé, permitindo que ela amadureça e se torne, de forma natural, profética e comprometida com a vida.

A missão da Igreja, segundo as reflexões do encontro, continua sendo olhar com atenção para os pobres e para aqueles que mais sofrem, seguindo o caminho de Jesus, que acolhe a todos. Mais do que disputas ideológicas, o centro da missão permanece sendo o Evangelho vivido em comunidade.

O grande desafio, portanto, é resgatar o encanto do Evangelho em uma sociedade marcada pelo individualismo, fortalecendo vínculos, cultivando a espiritualidade e construindo comunidades vivas, onde jovens e adultos possam sentir-se pertencentes e motivados a viver a fé e agir em favor dos outros.

Nesse caminho, a sinodalidade, a espiritualidade e a esperança aparecem como pilares fundamentais para reconstruir o sentido profundo de ser comunidade e continuar a caminhada no seguimento de Jesus.

 

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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