Dandara Dias de Oliveira
Interessante como determinados pássaros voam de forma organizada, a exemplo a formação “V”, que além de organização revezam a liderança. Detalhes simples, que muitas vezes passam despercebidos pelo olhar humano, mas que fazem uma grande diferença para a comunidade.
Cada pássaro voa aproveitando o vórtice de ar, ou seja, o corredor de ar menos denso, abrigando-se atrás das asas de seu líder.
A estratégia apresentada acima, é comum em aves migratórias, de grande porte, principalmente para economizar energia. Reduzindo o arrasto do ar para as aves de traz, poupando mais energia do que se voassem sozinhos.
Mas outro ponto fundamental, que não podemos deixar de mencionar, é a liderança. Quando a ave líder na ponta do “V” fica cansada, de tanto quebrar a resistência do ar, ela não desiste, nem foge, muito menos abandona seu posto, simplesmente recua, dando espaço para que outra ave, descansada assuma seu posto.
Que formação perfeita, exemplo claro e clássico de um trabalho em equipe e cooperação, presente na natureza, mostrando a possibilidade de uma liderança compartilhada, sem ganância, inveja, desprezo, e garantindo o principal objetivo do grupo, a chegada ao destino.
Dentre essas aves, destacamos os gansos. Conhecidos não apenas pela sua presença em quintais, mas por características comportamentais e físicas únicas que os diferenciam de patos e cisnes.
Além de notáveis pela inteligência na habilidade de voo em “V”, percorrendo longas distâncias, são extremamente protetoras com filhotes, e como os seres humanos, compartilham dos momentos de luto quando perdem um dos seus.
Também são excelentes guardiões, territoriais e barulhentos quando precisam, principalmente, se perceberem movimentos estranhos. Assim como, amantes dos campos e dos gramados, resistentes e com boa longevidade.
Este relato se aproxima muito da grande missão assumida pelo Padre José Carlos Ferreira da Silva. Que como qualquer outro pássaro migratório, chegou para nossa comunidade, Nossa Senhora da Penha – Itabira, com a missão de guiar nossos passos, conduzir nossa esperança e ensinar grandes lições.
Com sua metodologia pastoral e catequética, que une fé e vida, nos educa a experienciar a nossa fé seguindo amplamente os passos da Igreja e de seus pastores.
E por sinal, é um pastor que observa toda a realidade de forma crítica, analisando os fatos, superando os preconceitos, mas sempre ouvindo o seu rebanho.
Confronta a realidade, fazendo-nos com ele e iluminados pela Palavra de Deus, entender onde está a ação divina. Busca ações concretas para transformar a realidade e juntos realizamos sempre uma autoavaliação, como líder garante uma caminhada de aprendizado contínuo.
Mas como pastor nos recorda da importância do agradecimento pelas conquistas, bem como do fortalecimento da vivência em comunidade através da oração. Toda sua ação segue exclusivamente os passos: Ver; Julgar; agir; Rever; e Celebrar.
Em sua liderança paroquial, ele jamais desistiu, nem fugiu, muito menos abandonou seu posto, somente recuou algumas vezes, dando espaço para que nós, seu rebanho, seu bando, aprendessem sozinhos a caminhar.
Como o ganso, além de um conhecimento extraordinário, vivenciou o luto, não individualizado, mas empático. Pois quando se perde alguém que ama, todo bando sente, todo bando perde, todo o bando chora. E nós choramos juntos. Não pela partida, mas pela falta de oportunidade da despedida.
É um ótimo guardião, como o ganso, territorial e barulhento quando preciso. Não sabemos se ama o campo e os gramados, da mesma forma que os gansos, mas tenho certeza que para nossa comunidade rural é um líder exemplar.
Padre José Carlos, espero que sua próxima migração demore, pois sua presença é fundamental para a nossa formação “V”.
Comunidade Nossa Senhora da Penha, Itabira.
Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, 17 de março de 2026.