Com o objetivo de fortalecer a espiritualidade e renovar o compromisso ministerial, a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim promoveu, entre os dias 20 e 22 de março, o Retiro Anual para os diáconos permanentes e suas esposas. Com o tema “Diácono Permanente: vocação, identidade e espiritualidade” e o lema “Como é bom e agradável os irmãos unidos viverem juntos” (Sl 133,1), o encontro foi conduzido pelo padre Humberto Robson de Carvalho, da Arquidiocese de São Paulo.
O retiro teve início na noite de sexta-feira, 20, com acolhida dos participantes, jantar e a primeira meditação, marcando o início de uma intensa programação espiritual que se estendeu ao longo do fim de semana. Durante os três dias, os diáconos e suas esposas vivenciaram momentos de oração, reflexão, silêncio e partilha, em um itinerário cuidadosamente preparado para favorecer o encontro pessoal com Deus e a renovação da vocação diaconal.
Segundo o diácono Walber dos Santos de Almeida, o primeiro momento do retiro foi marcado por uma forte experiência espiritual, conduzindo os participantes a um verdadeiro “deserto interior”. “No primeiro momento, ele nos conduziu a viver um deserto, onde encontramos o Espírito Santo, que nos leva a um diálogo profundo com Deus”, destacou. Ele explicou que a meditação inicial foi inspirada no Salmo 133, ressaltando a importância da comunhão: “É bom estarmos juntos. Esse salmo retrata a unção do Espírito Santo, que desce como óleo e nos fortalece no ministério, nos chamando a servir”, afirmou.
Ainda na sexta-feira, a reflexão trouxe a simbologia do orvalho que fecunda a terra, associada à ação do Espírito Santo na vida da Igreja e dos ministros ordenados. “Essa imagem da gota de orvalho traz a fertilidade para a Igreja e para a nossa vida, reforçando a missão que recebemos”, acrescentou o diácono.
A programação de sábado, 21, foi intensa, iniciando com a oração das Laudes às 7h, seguida de café da manhã e momentos sucessivos de meditação, oração pessoal e partilha. Ao longo do dia, os participantes também tiveram a oportunidade de se confessar individualmente e participar da oração do terço em pequenos grupos, além de um momento de adoração eucarística à noite.
De acordo com Walber Santos, o segundo dia foi dedicado à reflexão sobre a identidade do diácono à luz das Sagradas Escrituras, especialmente a partir do capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos, que narra a instituição dos primeiros diáconos. “Fomos conduzidos a olhar para a nossa vida ministerial e refletir como estamos vivendo a nossa vocação, fazendo um elo com o lema de ordenação de cada um de nós”, explicou.
Um dos pontos marcantes, segundo ele, foi a participação das esposas nesse processo de reflexão. “As esposas também meditaram o lema do marido, o que fortalece ainda mais a dimensão familiar e vocacional do diaconato permanente”, ressaltou.
O diácono também lembrou que o retiro anual é uma exigência para todo o clero, sendo um momento essencial de formação e renovação espiritual. “Todas as dioceses oferecem esse retiro com o intuito de nos ajudar a crescer e a servir conforme a graça de Deus”, disse.
Entre os momentos mais significativos do sábado, Walber destacou a oração do terço, vivida de forma contemplativa. “Saímos em pequenos grupos, homens em duplas e mulheres em trios, para um deserto, onde rezamos o Santo Terço. Foi uma experiência muito profunda”, relatou. A adoração eucarística à noite também foi lembrada como um dos pontos altos do retiro. “Foi uma adoração muito bonita, bem rezada, que expressa a espiritualidade própria da nossa diocese”, afirmou.
No domingo, 22, último dia do retiro, a programação incluiu oração das Laudes, café da manhã, mais um momento de meditação e, em seguida, partilha e comunicações finais. O tema da família ganhou destaque nas reflexões conduzidas pelo orientador. “Hoje trabalhamos a importância da família na vida do diácono, inclusive diante dos novos modelos familiares, sempre em comunhão com a Igreja”, explicou Walber.
Ao fazer um balanço geral do encontro, o diácono destacou que a espiritualidade foi o eixo central das reflexões. “Ficou muito latente nesses três dias a questão da espiritualidade e da vivência diocesana. A espiritualidade do diácono precisa estar enraizada na realidade da sua diocese e vivida em comunhão com toda a Igreja”, pontuou.
Outro elemento fortemente presente no retiro foi o valor do silêncio como caminho para o encontro com Deus, inspirado nos ensinamentos do monge trapista Thomas Merton. “Ele trouxe muito essa dimensão do silêncio como lugar de encontro com Deus. Uma frase que marcou foi: ‘o silêncio é o pai da palavra’”, recordou o diácono.
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