Bispo de Cachoeiro de Itapemirim fala sobre encontro com o Papa Leão XIV

O bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim e bispo referencial da Pastoral dos Brasileiros no Exterior (PBE), vinculada à Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, participou, nesta segunda-feira, 12 de janeiro, de uma audiência com o Papa Leão XIV, no Vaticano. O encontro reuniu os membros da Comissão Episcopal e teve como eixo central a partilha missionária e os desafios da Igreja no mundo contemporâneo.

Segundo Dom Luiz Fernando, a presença da Comissão na Itália teve um objetivo claro e estratégico. “A nossa vinda aqui à Itália foi para, principalmente, dois encontros: no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral e a audiência com o Santo Padre”, explicou o bispo.

Na sexta-feira anterior à audiência papal, dia 9 de janeiro, os membros da Comissão participaram de um encontro no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral. “Nós nos apresentamos como Comissão. Primeiro, o cardeal Michael Czerny fez uma acolhida para todos os membros, falou sobre o trabalho do Dicastério”, relatou Dom Luiz. Durante a visita, os bispos também assistiram a um vídeo institucional que apresentou as ações desenvolvidas pelo organismo vaticano em diversas partes do mundo, especialmente junto a populações vulneráveis. “Vimos tudo aquilo que o Dicastério promove pelo mundo inteiro, as pessoas e instituições que ajuda. E depois eles nos ouviram”, acrescentou.

Na partilha com os responsáveis pelo Dicastério, a Comissão apresentou as diversas frentes de atuação, com destaque especial para a Pastoral dos Brasileiros no Exterior. “Falamos do trabalho da nossa Comissão, das várias áreas em que ela atua e, principalmente, falamos sobre a PBE, que é a Pastoral com os Brasileiros no Exterior”, afirmou o bispo. Dom Luiz ressaltou que a reflexão incluiu o tema da mobilidade humana, tanto dentro quanto fora do Brasil, lembrando a formação histórica do país. “Falamos que o Brasil é um país multicultural, multirracial, que recebe pessoas de muitos lugares do mundo há muitas décadas: italianos, holandeses, espanhóis, portugueses. Sem contar que somos uma nação de povos originários, uma nação indígena, os verdadeiros donos da terra, e também de mais de cinco milhões de negros trazidos como escravizados da África. Então, nós somos uma nação multicultural”, enfatizou.

Além de ser terra de acolhida, o Brasil também é um país de partida. “Os brasileiros também saem pelo mundo. São cerca de cinco milhões de brasileiros que estão fora”, recordou Dom Luiz. Essa realidade fundamenta a missão da PBE. “Essa é a preocupação da Pastoral com os Brasileiros no Exterior: atender essas comunidades, acompanhá-las, dar suporte aos padres que as atendem. Esse é um trabalho da nossa Comissão. E, dentro da Comissão, eu fiquei como bispo referencial dessa Pastoral”, explicou.

Nos últimos dias, Dom Luiz Fernando tem conciliado a agenda institucional com visitas pastorais às comunidades brasileiras na Europa. “Nesses dias passados, eu visitei algumas comunidades em Portugal. Aqui na Itália, celebramos com a comunidade brasileira de Roma, neste domingo passado. E, a partir daqui, amanhã eu vou para a Inglaterra visitar várias comunidades também em Londres, Liverpool e Manchester”, relatou. Para o bispo, o encontro no Dicastério foi particularmente significativo. “Esse Dicastério trabalha justamente com os imigrantes. Então eles se propuseram a nos dar todo o apoio para que continuemos esse trabalho”, destacou.

A audiência com o Papa Leão XIV foi descrita por Dom Luiz como um dos momentos mais marcantes da missão. “O encontro com o Santo Padre foi muito, muito profundo e muito bonito. O Papa nos recebeu com muita cordialidade, com muita paternidade, e conversamos cerca de trinta minutos com ele”, afirmou. Durante a audiência, os bispos apresentaram o trabalho da Comissão e suas diversas áreas de atuação. “Cada membro, cada um dos seis membros da Comissão falou”, explicou.

Na sua intervenção, Dom Luiz aproveitou para destacar um evento de grande relevância eclesial que será realizado em sua diocese. “Na minha vez, eu apresentei um pouco, aproveitando a oportunidade, o 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que vai acontecer em Cachoeiro, com o tema voltado para a juventude”, disse. O bispo ressaltou ainda a importância histórica do encontro. “Falei da importância desse Intereclesial, especialmente porque estamos comemorando cinquenta anos desde a realização dos dois primeiros encontros, em Vitória, e agora Cachoeiro, no nosso regional, vai sediar esse encontro em 2027.”

Na ocasião, os bispos aproveitaram para convidar o Papa Leão XIV a participar do evento. “Convidamos o Santo Padre para, se possível, participar. Se não for possível, que ele grave um áudio mais próximo do encontro para animar todos os participantes”, contou Dom Luiz. Também foi entregue ao Papa uma carta com pedidos de apoio, inclusive financeiro, para a realização do Intereclesial. “Deixamos uma carta com o Santo Padre para que depois ele possa encaminhar esses nossos pedidos”, explicou.

Outro ponto significativo da audiência foi a intervenção do prelado, que deu especial destaque à realidade das guerras no continente africano. O bispo de Cachoeiro pediu ao Papa que falasse mais sobre os conflitos na África, frequentemente motivados pela exploração de recursos naturais e pouco abordados no Brasil e em outras partes do mundo. Dom Luiz lembrou que apenas em Cabo Delgado há cerca de um milhão de deslocados, enquanto o Sudão soma aproximadamente 13 milhões de refugiados. Para o bispo, não basta apenas denunciar essas guerras, mas é necessário um compromisso concreto com um povo “tão massacrado e que precisa tanto de apoio”.

Ainda durante a audiência, os bispos ressaltaram que a reflexão apresentada está profundamente em sintonia com o trabalho da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, que enfrenta desafios como a pluralidade étnica e cultural, as novas subjetividades, a necessidade de uma evangelização decididamente missionária, o reconhecimento das novas identidades religiosas, o empobrecimento, o cuidado com a casa comum e os desafios do ambiente digital.

Na ocasião, os membros da Comissão convidaram oficialmente o Papa Leão XIV para participar do 7º Congresso Americano Missionário (CAM), que será realizado de 14 a 18 de novembro de 2029, na Arquidiocese de Curitiba (PR), com o tema “América em saída: Povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”. O Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas particulares do continente, fortalecendo a experiência sinodal e a cooperação com a Missio Dei nas fronteiras.

Também foram detalhados o Programa Missionário Nacional e o Projeto Igrejas Irmãs. O Programa Missionário Nacional é um instrumento oferecido pela Igreja no Brasil às Igrejas locais para responder, à luz da Palavra de Deus e do Magistério, aos desafios pastorais do tempo presente. Já o Projeto Igrejas Irmãs, inspirado no Concílio Vaticano II, promove a cooperação missionária entre Igrejas particulares, fortalecendo a partilha de dons, pessoas e recursos, especialmente em contextos mais desafiadores, com clareza, corresponsabilidade e fidelidade à Missio Dei.

Outro tema abordado foi a formação presbiteral no Brasil. Atualmente, o país conta com mais de 8.041 seminaristas maiores — sendo 5.317 diocesanos e 2.724 religiosos — número considerado pequeno diante da extensão territorial brasileira. A formação missionária desses futuros presbíteros foi apontada como um dos grandes desafios, especialmente para ajudá-los a compreender que a missão é eixo central da vida cristã e do ministério presbiteral.

Por fim, recordou-se que os Congressos Americanos Missionários têm origem nos Congressos Missionários Latino-Americanos (COMLA), realizados pela primeira vez em 1977, no México. Promovidos pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), esses encontros continentais reúnem representantes das Igrejas dos 22 países da América, do Dicastério para a Evangelização e do legado pontifício, fortalecendo a comunhão missionária em todo o continente.

Paralelamente à agenda em Roma, Dom Luiz Fernando Lisboa realiza uma intensa programação pastoral em Portugal, dedicada ao acompanhamento espiritual e à integração eclesial dos migrantes brasileiros. A visita teve início em Braga, diocese ligada à sua trajetória missionária e à parceria histórica com Pemba, em Moçambique. Desde a chegada, o bispo presidiu celebrações, como a Missa da Epifania no Porto e em Braga, reuniu-se com comunidades brasileiras, apresentou o trabalho da PBE e incentivou a inserção dos migrantes nas paróquias locais, evitando a formação de guetos e valorizando a colaboração pastoral dos brasileiros.

Em Lisboa, Dom Luiz reuniu-se com a Comissão Episcopal da Pastoral dos Migrantes de Portugal, fortalecendo a cooperação entre as Igrejas do Brasil e de Portugal. Como encaminhamento concreto, avançou-se na proposta de designar um padre brasileiro para acompanhar de forma mais sistemática as comunidades no país, iniciativa bem acolhida pelo arcebispo de Braga. A agenda incluiu ainda encontros com missionários ligados a Moçambique e com a família passionista.

Dando continuidade à missão junto às comunidades brasileiras no exterior, Dom Luiz Fernando embarca nesta terça-feira, 13 de janeiro, para a Inglaterra, onde visitará comunidades em Londres, Liverpool e Manchester, reforçando o compromisso da Igreja no Brasil com seus filhos e filhas espalhados pelo mundo.

 

Fotos

Os membros da Comissão Episcopal para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial com o Papa Leão XIV (@Vatican Media)
Os membros da Comissão Episcopal para Ação Missionária na Praça São Pedro (@Vatican Media)

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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