Centenas de coroinhas, acólitos, acólitas e cerimoniários da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim participaram, no sábado, 21 de março, de um encontro online de formação e comunhão conduzido pelo bispo diocesano, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP. Assista à reunião aqui. A reunião reuniu servidores do altar das 44 paróquias da diocese, que acompanharam a transmissão por meio de telões montados nas igrejas das comunidades paroquiais. Muitos outros participantes também acompanharam o encontro diretamente pelo celular, de diferentes lugares, formando uma grande assembleia virtual marcada pela escuta, reflexão e partilha.
O encontro foi pensado como um momento de proximidade entre o bispo e aqueles que exercem o serviço litúrgico nas comunidades. Logo no início da reunião, Dom Luiz explicou que o desejo de realizar esse momento vinha sendo cultivado há bastante tempo em diálogo com membros da pastoral litúrgica da diocese.
“Há muito tempo eu venho falando com o padre Paulo Sérgio Mourão, com o padre Christian Vieira Batista e com a Sueli Volpini, que é a coordenadora diocesana da pastoral litúrgica, que eu gostaria muito de ter esse encontro com os coroinhas, com os acólitos e com oscerimoniários”, afirmou o bispo, ressaltando que o encontro não seria apenas uma formação, mas também um espaço de diálogo.
Segundo ele, a proposta era criar um momento simples e fraterno para conversar com os jovens e ajudá-los a compreender a importância do serviço que realizam nas comunidades.
“Queria que fosse um momento de conversa, de um bate-papo, mas também um momento de formação, para nós percebermos a força que temos e para percebermos a importância do nosso trabalho na Igreja”, explicou Dom Luiz aos participantes.
Durante a reflexão inicial, o bispo destacou que cada pessoa tem um papel importante na vida da Igreja e que todos os serviços possuem valor. Para explicar essa realidade, ele recordou a comparação feita por São Paulo entre a Igreja e o corpo humano.
“Todos nós, sem nenhuma exceção, somos importantes nesse corpo que é a Igreja. São Paulo compara a Igreja ao corpo humano. No nosso corpo, cada membro tem a sua importância, nenhum é mais importante que o outro. Assim é na Igreja”, afirmou.
Dom Luiz também recordou que cada coroinha, acólito oucerimoniário faz parte de uma comunidade concreta. Segundo ele, a fé cristã não é vivida de forma isolada, mas dentro de uma comunidade onde as pessoas se reúnem para rezar, celebrar e partilhar a vida.
“Cada um tem o seu lugar na comunidade eclesial de base. Lá no lugar onde nós moramos existe uma comunidade, pessoas que se reúnem para rezar, para manifestar a sua fé e para viver juntos essa fé”, explicou o bispo.
Ao longo da formação, Dom Luiz apresentou aos participantes uma reflexão bíblica baseada na Primeira Carta de São Paulo a Timóteo, capítulo 4, versículo 12.
“Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”, citou o bispo, explicando que o texto expressa bem a missão dos jovens dentro da comunidade cristã.
Ele ressaltou que o serviço no altar não se limita apenas aos momentos da celebração, mas deve ser um testemunho vivido no cotidiano.
“Os coroinhas, acólitos ecerimoniários são chamados a essa fidelidade: na palavra, no modo de ser, no amor, na fé e na pureza. Ou seja, procurando ser uma pessoa do bem, uma pessoa da paz, uma pessoa que dá testemunho da sua fé”, afirmou.
Durante o encontro, Dom Luiz também explicou como a diocese se organiza pastoralmente. Ele recordou que a Igreja local é formada por uma grande rede de comunidades eclesiais de base, que estão organizadas dentro das paróquias.
“Nós somos cerca de 1,5 mil comunidades eclesiais de base na nossa diocese. Temos quarenta e quatro paróquias, e cada paróquia é uma rede de comunidades”, explicou o bispo.
Ele destacou ainda que nenhuma comunidade é mais importante que outra, independentemente de estar localizada na cidade ou na zona rural.
“Nem a comunidade matriz é mais importante que aquela que está mais longe, na zona rural. Todas são igualmente importantes”, disse.
Outro ponto abordado durante a formação foi a identidade da Igreja como uma comunidade sinodal, ou seja, um povo que caminha junto e onde todos participam da missão evangelizadora.
“Ser uma Igreja sinodal significa que todos têm a sua importância. Nós temos serviços e ministérios distintos, mas não existe ninguém mais importante que o outro”, afirmou Dom Luiz.
Ele também destacou que todos os batizados, pelo batizado, são missionários, levando o Evangelho para além dos muros da igreja.
“Nós somos missionários no dia a dia, lá na família, na escola, no trabalho, na comunidade. Somos chamados a ser uma Igreja missionária em saída, que vai ao encontro das pessoas”, explicou.
Durante a formação, o bispo apresentou ainda alguns aspectos históricos sobre o serviço dos coroinhas na Igreja. Ele recordou que a presença de jovens ajudando nas celebrações remonta aos primeiros séculos do cristianismo e mencionou a figura de São Tarcísio, jovem mártir do século III considerado patrono dos coroinhas.
“Desde o início houve crianças e jovens que ajudaram na liturgia. São Tarcísio, um jovem mártir do ano 257, é considerado o patrono dos coroinhas”, explicou.
Dom Luiz também recordou as mudanças litúrgicas promovidas pelo Concílio Vaticano II, que ampliaram a participação dos fiéis nas celebrações e valorizaram o papel dos leigos dentro da liturgia.
“Antes do concílio se dizia: ‘vou assistir à missa’. Hoje entendemos que ninguém vai à missa para assistir, mas para participar e celebrar”, afirmou o bispo.
Outro ponto importante da formação foi a explicação sobre as funções desempenhadas pelos servidores do altar. Segundo Dom Luiz, o coroinha geralmente inicia no serviço litúrgico realizando tarefas básicas, como conduzir a cruz, as velas, o missal ou tocar o sino.
“O coroinha auxilia nas funções básicas: cruz, velas, missal, sino. São funções simples, mas muito importantes”, explicou.
Com o passar do tempo e a experiência adquirida, alguns passam a exercer o serviço de acólito, assumindo responsabilidades maiores dentro da celebração. Já o cerimoniário é aquele que acompanha e coordena toda a organização da liturgia.
“O cerimoniário coordena a celebração, garantindo a ordem e a dignidade litúrgica”, destacou o bispo.
Ao final do encontro, Dom Luiz incentivou os participantes a aprofundarem a vida sacramental e a cultivarem uma espiritualidade sólida. Ele recordou que os sacramentos acompanham toda a vida do cristão e são sinais da presença da graça de Deus.
“O sacramento da Eucaristia é considerado o centro de toda a vida cristã, fonte e ápice da nossa fé”, destacou.
O bispo também convidou os jovens a conhecerem a vida de alguns santos que podem inspirar sua caminhada, entre eles São Tarcísio, Santa Maria Goretti, São Domingos Sávio, Santa Inês, São Carlos Acutis, Santa Teresinha do Menino Jesus e São Pier Giorgio Frassati.
Encerrando sua reflexão, Dom Luiz motivou os jovens a continuarem participando ativamente da vida da Igreja e a refletirem sobre seu futuro. Ele lembrou que o tempo da juventude é também um momento importante para discernir a própria vocação.
“Vocação é um estado de vida. Pode ser o matrimônio, a vida religiosa, o presbiterato, a vida missionária. Por isso é um tempo de sonhar e de descobrir o que Deus quer para cada um”, disse o bispo. Assista à reunião aqui.
Fotos
Paróquia São Filipe – Cachoeiro de Itapemirim
Paróquia Nosso Senhor Jesus Cristo Luz dos Povos – Irupi

Paróquia São José – São José dos Calçados