A Necessidade da Oração – A Acolhida da Palavra – A Maturidade da Fé

(Êx 17,8-13 / Sl 120 / 2Tm 3,14-4,2 / Lc 18,1-8)
A Necessidade da Oração – A Acolhida da Palavra – A Maturidade da Fé
A Liturgia do Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum traz como tema central a Necessidade da Oração, algo que foi apresentado na Primeira Leitura, bem como no Evangelho. A Oração é apresentada unida a dois outros pontos que são: A Acolhida da Palavra e a Maturidade da Fé. A Segunda Leitura apresenta a Acolhida da Palavra como fonte de crescimento na graça e, sobretudo, da Maturidade na Fé. Já a pergunta de Jesus, no final do Evangelho de Lucas, serve de elo de ligação para toda a Liturgia desse domingo, pois indica que a Maturidade da Fé depende da constância na Oração e da Acolhida da Palavra de Deus.
No centro do Evangelho deste domingo encontra-se uma viúva, essas deveriam ser amparadas, diante da Lei, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, que também deveriam ser protegidos e amparados. Toda a literatura sapiencial e os profetas são unânimes em exortar o povo de Israel sobre o cuidado devido para com esse grupo específico. De maneira especial, as viúvas deveriam ser tratadas com justiça e com zelo, impedindo que pudessem viver uma situação de extrema pobreza. O relato do Evangelho retrata a insistência da viúva em apresentar a sua causa diante de um juiz iníquo, que não lhe dava atenção. Algo que provoca em Jesus uma reflexão sobre a persistência da viúva, apresentando-a como um sinal do valor da oração constante e perseverante. Algo que já foi retratado no Evangelho que apresenta a parábola do homem que foi perturbado durante à noite por um amigo pedindo comida para outro que tinha chegado tarde em sua casa (Lc 11,5-6).
Já na Primeira Leitura, o valor da oração é confirmado ao apresentar Moisés em oração constante, garantindo a vitória dos filhos de Israel sobre os amalecitas. Uma vitória não militar, mas religiosa, pois, por meio da oração de Moisés, é o Senhor quem vence os inimigos de Israel. A cena retrata a necessidade da Oração constante e persistente, diante das dificuldades sofridas pelo povo em seu ingresso na Terra Prometida. Ao mesmo tempo, que apresenta uma séria reflexão sobre em quem Israel deveria depositar a sua confiança e esperança. Os filhos de Israel são convidados a reconhecer que é o Senhor quem lhes garante todos os dons que precisam inclusive a posse da terra.
A Segunda Leitura indica a necessidade da acolhida da Palavra de Deus, pois é a Palavra que tem o poder de comunicar a sabedoria, conduzir à salvação e formar homens e mulheres qualificados para toda a boa obra do Reino, como verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo. De fato, podemos dizer que é no encontro com Cristo, que nos revela as Escrituras, que são formados os discípulos e as discípulas missionários, capazes, pela graça de Deus, de serem sinais do Reino hoje. Pois, por meio da acolhida da Palavra, a vida desses homens e mulheres, convocados ao caminho do discipulado missionário, seria marcada pelos valores do Evangelho, expressão do Reino de Deus.
A Segunda Leitura não somente propõe a acolhida da Palavra de Deus, como também indica que tal atitude de vida forma missionários do Reino. Pois, a Palavra de Deus lida, acolhida, refletida e rezada, em todos os espaços da Comunidade Eclesial de Base, é capaz de suscitar nos corações a consciência missionária. Fazendo com que todos se reconheçam missionários do Reino de Deus, convocados pelo Batismo a assumir a missão de levar a todos o anúncio do Evangelho. Sendo assim, é responsabilidade da Comunidade Eclesial de Base fortalecer e incentivar a Leitura Orante da Palavra de Deus. Sobretudo, nas celebrações litúrgicas, nos Círculos Bíblicos, nos momentos de oração nas comunidades e também na oração pessoal de todos os cristãos. A fim de que sejam formados verdadeiros discípulos missionários, capazes de pelo testemunho, serviço e missão serem sinais do Reino juntos aos que mais precisam.
No coração da parábola do Evangelho deste Domingo encontra-se uma indicação de que o Reino de Deus não tardará, trazendo à tona a questão da Maturidade da Fé. A urgência da vinda do Reino diz respeito à necessidade do cuidado para com os pequenos e pobres e a manifestação da misericórdia de Deus junto aos que sofrem e são excluídos. Algo muito importante no Evangelho de Lucas e que tem uma implicação direta na acolhida da proposta do Reino por todos. Sendo assim, a parábola da viúva é dirigida a todos como um questionamento sobre o modo como se vive a expectativa do advento do Reino e sobre como se professa a fé. Indicando que as duas questões estão intimamente unidas, pois, a forma como se vive e se professa a Fé indicam a sua própria Maturidade.
Jesus, ao terminar a parábola com a pergunta: Mas o Filho do homem quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra? (Lc 18,8), deseja refletir sobre que "tipo" de fé encontraria. A sua pergunta não é sobre a existência ou não da fé, mas, sobre como seria professada e de que modo seria vivida. A Fé Madura é aquela que é capaz de tocar a totalidade da vida, marcando-a com os sinais do Reino, tornando o fiel portador da graça, da bondade e da misericórdia divina. Desse modo, aquele que professa a fé, de forma madura, não compactua com a injustiça e a opressão, mas, ao contrário, defende a vida e se coloca ao lado dos mais pobres. Sendo assim, a Fé Madura é vivenciada por meio das obras de misericórdia, na comunhão fraterna, sinal do compromisso daqueles que são discípulos missionários de Jesus Cristo.
A Liturgia do Vigésimo Novo Domingo do Tempo Comum quer indicar a ligação profunda existente entre a Oração, a Acolhida da Palavra de Deus e a Maturidade da Fé, visto que a última é profundamente dependente das duas primeiras. Pois, é maduro na fé aquele que faz da oração e da acolhida da Palavra de Deus lugares do encontro profundo com o Senhor e espaços de conversão e de vida nova. A acolhida da Palavra e a verdadeira oração são eficazes quando se traduzem na vivência dos valores do Evangelho, fazendo surgir novos discípulos missionários, profetas da caridade e da justiça. Estes homens e mulheres novos seriam capazes de ter um coração solidário e compassivo, prontos para toda boa obra missionária, levados ao encontro dos que sofrem, levantando os caídos, estendendo as mãos aos que mais precisam e defendendo a vida em todas as suas manifestações.
Que a Liturgia da Palavra provoque em todos, o essencial pedido ao Senhor do dom da Oração e da Acolhida da Palavra, a fim de que, por meio, da leitura orante da Sagrada Escritura todos sejam formados como verdadeiros discípulos e discípulas missionários. Homens e mulheres que se tornam sinais do Reino de Deus, marcados pela Palavra e transformados pela oração. Vivendo no coração das Comunidades Eclesiais de Base como verdadeiros missionários e profetas da justiça, da fraternidade e da misericórdia de Deus.
Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza