Diocese acolhe Pastoral dos Nômades em caminhada de fé, diálogo e esperança

Inspirada pelas palavras do Papa Leão XIV, que chamou os ciganos de “Itinerantes da Esperança”, a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim viveu, entre os dias 16 e 19, uma intensa experiência pastoral, fraterna e missionária junto aos povos nômades — ciganos, circenses e parquistas. A diocese recebeu com alegria o diretor executivo da Pastoral dos Nômades do Brasil, o calon Cícero Pereira, vindo da Paraíba, que esteve acompanhado pela secretária da pastoral, Cherlia Vieira, e pelo assessor diocesano, padre Clebson de Souza Rodrigues.

A visita teve início na casa paroquial da Paróquia de Itaipava, em Itapemirim, no litoral Sul, onde o pároco, padre Ronaldo Borel, seminaristas e integrantes da pastoral local acolheram o diretor executivo e o coordenador. Em clima de fraternidade, partilharam um café e dialogaram sobre os desafios e possibilidades da pastoral na região, firmando compromissos para a estruturação da Pastoral dos Nômades na paróquia. Entre os encaminhamentos, foi destacada a necessidade de construir pontes, estreitar relações e garantir presença da Igreja entre as famílias ciganas existentes no território.

A peregrinação seguiu com a visita a quatro famílias ciganas em Itaipava, que receberam com carinho os agentes pastorais. Foram momentos marcados pela fé, esperança e acolhida, mas também pela constatação de necessidades relacionadas à assistência sacramental e presença pastoral — como pastoral da saúde, familiar e catequese. A cultura cigana, com seus valores de fé, família, devoção e solidariedade, foi reafirmada e valorizada.

No domingo, 16, em Mimoso do Sul, a visita foi oficialmente aberta com a celebração da Eucaristia, presidida pelo padre Clebson, vigário paroquial e assessor diocesano da pastoral. Em sua homilia, destacou o compromisso da Igreja com os povos que ainda se encontram às margens da sociedade, reforçando o chamado para construir uma Igreja de irmãos, aberta à inclusão e ao diálogo entre ciganos e não ciganos. Após a missa, a comunidade local ofereceu um café aos visitantes e às famílias presentes.

A comitiva também visitou a barraca dos ciganos de Mimoso, onde partilhou um almoço e vivenciou momentos de escuta e solidariedade, especialmente diante da enfermidade do senhor Matosinho, hospitalizado após sofrer um AVC. Mesmo diante das dificuldades, ficou evidente a presença viva da fé e da devoção, bem como o cuidado familiar.

Na cidade de Alegre, os agentes foram acolhidos pelo circo Krhool, onde dialogaram sobre os desafios enfrentados pelos circenses, como a falta de apoio e acolhida por parte das autoridades. Com intervenção da pastoral, foi possível articular com a prefeitura a permanência do circo por mais tempo na cidade, demonstrando a força da mediação pastoral e da solidariedade cristã.

Em Natividade (RJ), na Diocese de Campos, os agentes encontraram um grupo de ciganos desejosos de receber os sacramentos, sobretudo o Batismo, além de expressarem grande devoção a Maria e amor à Igreja. O diálogo foi levado também ao sacerdote da Administração Apostólica local, para promover a acolhida pastoral.

Em Guaçuí, os missionários visitaram diversas barracas, onde foram recebidos com fraternidade, partilharam refeições, celebraram aniversários e, sobretudo, construíram pontes de confiança. Houve celebração da Eucaristia com expressiva participação cigariana e o comovente testemunho de uma cigana que retomou o uso das vestes tradicionais como sinal de identidade cultural e de fé. A alegria, a acolhida e a solidariedade marcaram profundamente estes encontros.

As visitas continuaram em Presidente Kennedy e Marataízes, onde os agentes vivenciaram realidades de sofrimento, marginalização, pobreza, enfermidade e até situações de dependência química e cárcere. Apesar das dificuldades, foi possível perceber a fé e a esperança presentes nesses grupos, o desejo de acolher a presença da Igreja e de experimentar novos horizontes.

No encerramento, no dia 19, Cícero Pereira participou da reunião mensal do clero da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, apresentando a trajetória, os objetivos e as urgências da Pastoral dos Nômades. Dom Luiz Fernando acolheu a proposta com carinho e valorização, reafirmando a importância de fortalecer essa ação pastoral na diocese e promover maior proximidade com os povos itinerantes.

Assim, concluiu-se a “Itinerância da Esperança”, deixando sementes de fé, inclusão e compromisso humano e pastoral com os povos nômades, reforçando que a Igreja é casa de todos — especialmente daqueles que caminham à margem, mas carregam no coração a esperança de Deus.

 

Fotos

Compartilhar Post:

Autor:

Diocese Cachoeiro

Últimas notícias