A Rádio Diocesana FM 95,7 celebra 33 anos de história, consolidada como um dos principais veículos de comunicação do Sul do Espírito Santo. A trajetória da emissora, porém, começou antes mesmo de receber o nome que a consagrou e está diretamente ligada à perseverança de Dom Luiz Mancilha Vilela, segundo bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, e ao empenho de leigos e sacerdotes que acreditaram no sonho de uma rádio verdadeiramente católica na cidade.
De acordo com o advogado José Irineu de Oliveira, que atuou como mediador no processo de aquisição da emissora, antes de se tornar Diocesana, a rádio funcionava como Rádio AM 960 kHz, instalada nas proximidades da Igreja São Sebastião, na Praça da Bandeira (Aquidaban). Embora mantivesse programação religiosa, não era oficialmente uma emissora da Igreja Católica. Os proprietários eram o padre Antonio Romulo Zagotto, o diácono Gilson Pin, sua esposa, dona Zélia Pin, e dona Inês Cola, esposa de Camilo Cola.
O desejo de transformar a emissora em um veículo oficialmente ligado à Diocese partiu de Dom Luiz Mancilha. “Ele sonhava em ter uma rádio católica”, relembra José Irineu. Com diálogo e articulação, o bispo conseguiu o apoio do padre Rômulo e sensibilizou dona Inês e Camilo Cola, que decidiram doar suas partes à Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Restava, então, adquirir as cotas de Gilson e dona Zélia.
José Irineu foi nomeado mediador das negociações. A Diocese adquiriu a parte dos dois proprietários pelo valor de 50 mil dólares — quantia considerada alta para a época. O pagamento, segundo ele, ocorreu em uma Quarta-feira de Cinzas, no início da década de 1990, após intensas campanhas de arrecadação realizadas em todas as paróquias da Diocese.
Como a concessão da rádio ainda não havia completado cinco anos, a transferência direta para a Diocese não era permitida pelo Ministério das Comunicações. Foi então que, a pedido de Dom Luiz Mancilha, nasceu a Fundação Santa Teresinha, criada para receber oficialmente a concessão da emissora. José Irineu redigiu o estatuto, registrou a fundação e chegou a ocupar o cargo de vice-presidente. O primeiro presidente indicado teria sido o padre Ademir, que faleceu antes de assumir.
Durante o período de transição, a rádio continuou operando com o nome original e sob procuração pública concedida pelos antigos proprietários. José Irineu atuou como procurador por cerca de dois anos e meio, assinando documentos e prestando contas aos órgãos federais até que fosse possível efetivar a transferência definitiva para a Fundação Santa Teresinha.
Instalada inicialmente em um prédio projetado para ser o Centro de Pastoral da Diocese, a emissora ganhou nova identidade por decisão de Dom Luiz, que optou por abandonar o antigo nome e oficializar a marca Rádio Diocesana. “Assim nasceu a Rádio Diocesana, da vontade de Dom Luiz, da boa vontade do padre Rômulo e da colaboração de muitas pessoas”, resume o advogado.
Para quitar a aquisição e fortalecer a emissora, foram promovidos grandes eventos, entre eles um show do Padre Zezinho, que reuniu multidão no parque de exposições da cidade. Além disso, campanhas paroquiais e a criação do Clube do Ouvinte — atual Clube da Fé, que mobiliza representantes em diversas comunidades — foram fundamentais para garantir a sustentabilidade financeira da rádio nos primeiros anos.
Com o passar do tempo, a emissora ampliou sua potência no AM, passando de 1 kHz para 5 kHz e depois para 10 kHz. Anos mais tarde, já sob outra gestão da fundação, veio a migração para o FM, exigindo reestruturação técnica completa e consolidando a rádio no dial 95,7.
Três décadas e três anos depois, a Rádio Diocesana segue no ar 24 horas por dia, mantendo a missão evangelizadora que motivou sua criação. A semente plantada pela perseverança de Dom Luiz e pela fé de incontáveis colaboradores continua a dar frutos, sustentada pela confiança dos ouvintes e pelo compromisso com a comunicação a serviço da vida e da esperança.
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