A Quarta-feira de Cinzas, celebrada nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, marcou o início da Quaresma no calendário cristão ocidental e foi vivida pela Igreja como dia de jejum e oração em favor da paz. Em mensagem dirigida aos fiéis, o bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, ressaltou o profundo significado espiritual da data e convocou a comunidade a iniciar o tempo quaresmal com sinceridade e compromisso.
“Hoje, quarta-feira de Cinzas, é dia de jejum e de oração em favor da paz. Rezemos pela paz”, afirmou o bispo logo no início de sua reflexão. A data também marca, no Brasil, a abertura da Campanha da Fraternidade, mas Dom Luiz dedicou sua mensagem especialmente ao sentido da Quaresma.
Segundo ele, a Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia desse tempo litúrgico, que antecede a Páscoa em quarenta dias — sem contar os domingos — e cuja data varia a cada ano, podendo ocorrer entre o início de fevereiro e a segunda semana de março, conforme o calendário pascal.
O bispo explicou que a imposição das cinzas, realizada nas celebrações do dia, é um gesto carregado de simbolismo. “As cinzas que recebemos são um sinal que nos convida à reflexão sobre o dever da conversão. Todos nós somos chamados a nos converter”, destacou. Para Dom Luiz, a Quaresma é um tempo privilegiado de mudança de vida: “É um período para recordar a fragilidade da nossa existência, que é passageira, transitória e sujeita à morte.”
Durante as missas, os fiéis são marcados na fronte com cinzas, em um rito que remete à antiga tradição do Oriente Médio de lançar cinzas sobre a cabeça como sinal de arrependimento diante de Deus, prática também mencionada na Sagrada Escritura. A Igreja Católica trata a data como um momento de consciência sobre a própria mortalidade e de renovação espiritual.
Além do significado simbólico, a Quarta-feira de Cinzas é também dia de jejum e abstinência. Dom Luiz lembrou que crianças e idosos são dispensados, mas jovens e adultos são convidados a assumir essa prática com responsabilidade. “O jejum pode ser total, quando a pessoa se abstém de qualquer alimentação por um período, como durante um dia inteiro, ou parcial, ficando sem uma das refeições ou fazendo apenas uma refeição no dia. Cada um faz aquilo que consegue, mas, se podemos e aguentamos, é importante fazer”, orientou.
O bispo reforçou ainda a dimensão solidária do jejum, incentivando que o fruto da renúncia seja partilhado com os mais necessitados. “Leve para uma família necessitada ou entregue na igreja o fruto do seu jejum, para que depois seja partilhado com quem precisa”, recomendou.
Ao concluir, Dom Luiz convidou os fiéis a viverem intensamente os quarenta dias que conduzem à Páscoa. “Que tenhamos uma profunda Quaresma, com mais oração, maior aproximação de Deus e verdadeira conversão de vida. Deus nos quer melhores do que somos, Deus nos quer convertidos. Que este tempo nos ajude a dar os passos que precisamos dar”, afirmou.