Dom Luiz Lisboa e lideranças religiosas participam de debate após exibição de documentário em Vitória

Na noite desta terça-feira, 24 de março, o Cine Metrópolis, em Vitória, ficou lotado para a exibição do documentário O Evangelho da Revolução, promovida pela Escola de Fé e Política da Arquidiocese de Vitória em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A atividade, gratuita e aberta ao público, reuniu grande público interessado em refletir sobre a presença da fé cristã nas lutas sociais da América Latina.

Com o auditório completamente cheio, muitas pessoas se sentaram no chão ou acompanharam a sessão em pé. Mesmo assim, o público permaneceu até quase 22 horas para participar do debate realizado após a exibição do filme.

O documentário aborda o impacto da Teologia da Libertação na organização de movimentos populares, pastorais e comunidades comprometidas com a justiça social. A sessão foi seguida de uma mesa de diálogo com lideranças religiosas e acadêmicas.

Participaram do debate os bispos Dom Luiz Fernando Lisboa (Cachoeiro) e Dom Lauro Versiani Barbosa (Colatina), o padre Kelder Brandão, Vigário para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, a religiosa Rita Cola e o professor da Ufes Maurício Abdalla. Também estiveram presentes dois bispos que estavam em Vitória para outros compromissos e foram convidados a integrar a mesa: Dom Altevir Silva, da Prelazia de Tefé (AM), e Dom Evaldo Carvalho, da Diocese de Viana (MA).

Segundo o professor Maurício Abdalla, a iniciativa buscou unir memória histórica e reflexão pública sobre o papel da fé na sociedade. “A Teologia da Libertação ajudou a formar uma geração de cristãos comprometidos com a transformação social. O documentário mostra como fé e política podem dialogar a partir da defesa da dignidade humana”, afirmou.

Ele também destacou o envolvimento do público durante toda a programação. “Mesmo com o cinema cheio e pessoas acompanhando a sessão em pé, todos permaneceram até o final do debate. Isso demonstra o interesse e a identificação das pessoas com a história retratada no filme”, disse.

De acordo com Abdalla, o diálogo após a exibição reforçou a atualidade das reflexões apresentadas no documentário. “Os participantes da mesa foram unânimes em afirmar que esse espírito precisa continuar vivo: o de uma Igreja engajada, que motiva os cristãos a participarem da transformação social”, afirmou.

Durante o debate, também foi lembrado que esse compromisso está presente na doutrina social da Igreja e se expressa de forma significativa no pontificado do Papa Francisco e em sua continuidade no atual pontificado de Leão XIV. A ideia central, segundo os participantes, é que a mensagem de Jesus permanece libertadora diante das situações de opressão e desigualdade.

A data da exibição foi escolhida para recordar o assassinato de Dom Óscar Romero, morto em 24 de março de 1980 enquanto celebrava missa em El Salvador. Para Abdalla, a memória do arcebispo salvadorenho continua atual. “Dom Romero simboliza uma Igreja que não se cala diante da injustiça. Lembrar seu martírio é reafirmar o compromisso com os pobres e com os direitos humanos”, destacou.

 

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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