Fé e tradição marcam os 137 anos da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Marataízes

Ano após ano, centenas de fiéis católicos se reúnem às margens do rio Itapemirim para celebrar a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, uma das mais antigas e tradicionais manifestações de fé do litoral sul capixaba. Com 137 anos de história, a tradicional travessia fluvial foi realizada nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, na Barra do Itapemirim, em Marataízes, nas proximidades do Trapiche, reunindo comunidade local, pescadores e devotos vindos de diferentes localidades.

A programação teve início com o encontro dos fiéis para a oração do Santo Terço Mariano, realizado nas proximidades do tradicional Palácio das Águias. Em seguida, às 9h, foi celebrada a missa solene, presidida pelo bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, e concelebrada por padres e religiosos da Área Pastoral Litorânea.

Antes do início da procissão, os fiéis se aproximaram da imagem de Nossa Senhora dos Navegantes para um momento de devoção e homenagem, depositando flores e lançando pétalas de rosas sobre a santa. Em um gesto simbólico e emocionante, a imagem foi coroada pelas crianças da paróquia, reforçando a dimensão de fé transmitida entre gerações.

Após a celebração eucarística, os devotos seguiram em procissão terrestre com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, conduzida em um andor no formato de barco, até o porto. No local, a imagem foi colocada em uma embarcação, dando início à tradicional procissão fluvial pelo rio Itapemirim, o momento mais aguardado da festa.

Recém-transferido para Marataízes, o pároco da Paróquia Santíssima Trindade, padre Gracione Augusto Alves, participou pela primeira vez da celebração e destacou a emoção vivenciada durante o evento. “Participar desta celebração e também da procissão fluvial é uma emoção muito grande. É uma alegria poder partilhar esse momento com a comunidade. Fico muito feliz, muito agradecido e peço que Deus, por meio de Nossa Senhora dos Navegantes, continue abençoando a todos nós”, afirmou.

Com barcos enfeitados com fitas e bexigas coloridas, dezenas de fiéis acompanharam a imagem da santa pelas águas do rio Itapemirim. A procissão fluvial tem como principal objetivo envolver os pescadores e ribeirinhos, que historicamente recorrem à proteção de Nossa Senhora dos Navegantes tanto na rotina de trabalho quanto na vida familiar.

Entre os participantes estava um pescador aposentado, com cerca de 50 anos de profissão e devoto antigo da santa, conhecido como Sr. Valtinho. Emocionado, ele falou sobre o significado da festa em sua vida. “É muita gratidão. Muito agradecimento a Nossa Senhora, muito mesmo. Agora mesmo eu estava pensando na minha filha, que faleceu há dois anos. Ela era apaixonada por vir aqui. A gente passa por muita coisa, mas confia em Deus. Como eu puder ajudar, eu ajudo. Nossa Senhora sempre esteve comigo”, relatou.

Ao contar sua história, ele destacou a forte ligação entre fé, família e trabalho. “Sou pescador há uns cinquenta anos. Já estou aposentado há sete, oito anos, mas sempre fui da comunidade. Nunca mudei de igreja. Toda vez que eu ia pescar, eu fazia uma prece a Nossa Senhora. Isso é coisa que vem da minha mãe, que passou pra gente. A fé sempre esteve presente”, completou.

 

A Devoção a Nossa Senhora dos Navegantes em Marataízes

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes em Marataízes, iniciada no século XX, tem seu epicentro na histórica Igreja situada na Barra de Itapemirim, erguida por volta de 1872. A comunidade de pescadores local, em busca de proteção contra os perigos do mar, adotou a santa como padroeira, realizando anualmente, em 2 de fevereiro, uma tradicional procissão fluvial e terrestre.

A construção da igreja foi impulsionada pelo Sr. Simão Rodrigues Soares e possivelmente pelo Frei Paulo Casanova. Considerada um dos patrimônios históricos mais antigos da região, suas raízes remontam a meados do século XIX, consolidando-se como um marco da história local. A devoção à santa, enraizada na tradição medieval de Maria como “Estrela do Mar”, foi trazida pelos colonizadores portugueses e, em Marataízes, representa o refúgio dos pescadores e marinheiros da Barra de Itapemirim, que depositam nela sua confiança para proteção durante as travessias e tempestades no mar.

O ponto alto dessa celebração ocorre na próxima segunda-feira, em 2 de fevereiro, com a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, que preserva mais de 137 anos de tradição. O evento é marcado por novenário, alvorada, missa campal e uma grandiosa procissão marítima com a imagem da santa, acompanhada por diversos barcos de pesca, simbolizando sua proteção sobre as águas. É um momento em que fé e tradição se entrelaçam, e, enquanto as ondas refletem o céu, cada coração se lembra de que, assim como os navegantes confiam sua jornada ao mar, nós também encontramos nas pequenas luzes da devoção um farol que nos guia pelos caminhos da fé.

 

Fotos

Fotos: Gleice Campos (Pascom Paroquial de Marataízes)

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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