A Igreja Católica celebra nesta sexta-feira, 3 de abril, a Sexta-feira da Paixão, também conhecida como Sexta-feira Santa, um dos momentos mais significativos da Semana Santa. A data integra o Tríduo Pascal, que começa na tarde da Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, e se encerra na Vigília Pascal e na celebração da Ressurreição de Cristo.
De acordo com o monsenhor Dalton Menezes de Penedo, a Sexta-feira Santa faz parte de uma única grande celebração que atravessa vários dias. “Na Sexta-feira Santa nós temos o segundo dia de uma celebração que começa na quinta-feira à tarde, na Missa da Ceia do Senhor, e termina com a Vigília da Páscoa e a Missa da Ressurreição”, explica.
Segundo ele, é importante compreender que essa celebração não acontece apenas dentro da igreja, mas se estende ao longo do dia e da vida cotidiana. “Não celebramos só quando estamos reunidos num lugar para viver a liturgia. O próprio dia, a sucessão dos momentos, nossas tarefas, nossos encontros com as pessoas e até o nosso silêncio também fazem parte dessa celebração”, afirma.
Para o monsenhor, esse silêncio tem um significado especial. “É um silêncio feito de escuta de Deus, de atenção a Ele”, destaca.
A programação do Tríduo Pascal começa na Quinta-feira Santa com a recordação da Última Ceia de Jesus com os discípulos. Após a missa, ocorre um momento de oração diante do Santíssimo Sacramento, recordando a agonia de Cristo no Getsêmani.
Já na Sexta-feira Santa, o dia é marcado por momentos de oração e reflexão. Em muitas comunidades, os fiéis participam da Via-Sacra ou da Liturgia das Horas ao longo da manhã, como forma de meditar sobre os últimos passos de Jesus.
À tarde, geralmente a partir das 15 horas, acontece a principal celebração do dia: a Liturgia da Paixão do Senhor. Diferentemente de outros dias, não há celebração da missa.
Monsenhor Dalton explica que essa ausência tem um sentido litúrgico profundo. “Nesse dia não celebramos a Eucaristia, porque a Eucaristia já é presença do Ressuscitado. Na Sexta-feira Santa nós recordamos a paixão e a morte de Jesus”, afirma.
Durante a celebração são proclamadas leituras bíblicas, incluindo o trecho do profeta Isaías, a Carta aos Hebreus e a narrativa da Paixão segundo o Evangelho de São João. Em seguida, a Igreja apresenta uma série de preces pelas necessidades da humanidade e do mundo.
Um dos momentos mais marcantes da celebração é a veneração da cruz, quando os fiéis se aproximam para beijar ou tocar o símbolo da morte de Cristo.
Para o monsenhor Dalton, o gesto simples do beijo carrega um profundo significado espiritual. “Quando encostamos a nossa boca em algo ou em alguém, significa que nos entregamos àquilo. Ao mesmo tempo, recebemos aquilo que é beijado como algo nosso”, explica.
Segundo ele, ao venerar a cruz, os fiéis expressam esse gesto de entrega e acolhimento. “Com um beijo nós nos entregamos à cruz e recebemos tudo aquilo que a cruz de Jesus nos apresentou”, conclui.