Igreja reforça presença nos presídios e convida voluntários para a Pastoral Carcerária

A Pastoral Carcerária tem sido um importante sinal da presença da Igreja junto às pessoas privadas de liberdade no Espírito Santo. Na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, esse trabalho busca levar esperança, escuta e acompanhamento espiritual aos detentos e também às suas famílias, reafirmando a dignidade humana mesmo em meio às dificuldades do sistema prisional.

Dados atualizados da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) apontam que a população carcerária do Espírito Santo é atualmente de 26.064 pessoas. No Estado existem 37 unidades prisionais, com capacidade total para 15.398 vagas, número inferior ao total de pessoas custodiadas. No sul do Estado, cerca de 2.200 presos estão distribuídos entre o Centro de Detenção Provisória de Marataízes (CDPM), o Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro de Itapemirim (CDPCI), a Penitenciária Regional de Cachoeiro de Itapemirim (PRCI) e o Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim (CPFCI).

Segundo o assessor diocesano da Pastoral Carcerária, Padre João Vitor Preato, a missão da pastoral nasce diretamente do Evangelho e da própria identidade da Igreja. Ele explica que, antes de compreender o trabalho específico no sistema prisional, é importante entender o significado das pastorais dentro da vida da Igreja.

“Nas nossas comunidades existem várias pastorais que são presenças concretas do cuidado de Jesus no mundo. Temos pastoral da família, da juventude, da saúde, dos idosos, entre outras. Todas elas representam essa união entre fé e vida, esse cuidado concreto de Jesus pelas pessoas”, afirma.

A partir dessa compreensão, a Pastoral Carcerária surge como expressão do cuidado da Igreja por aqueles que estão privados de liberdade. “A pastoral carcerária é o pastoreio de Jesus para aqueles que estão nos cárceres. No Evangelho de Mateus, capítulo 25, Jesus diz: ‘Estive preso e fostes me visitar’. Quando a Igreja visita aqueles que estão encarcerados, ela reconhece neles a presença do próprio Cristo”, explica o sacerdote.

Ele reforça ainda que a assistência religiosa tem um papel fundamental nesse processo de transformação. “A gente leva Jesus Cristo para pessoas que muitas vezes estão sem esperança e sem perspectiva de vida. É muito bonito ver o testemunho de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela presença religiosa dentro do presídio”, relata.

Além da evangelização, a Pastoral Carcerária realiza diversas atividades nas unidades prisionais, como momentos de oração, leitura da Palavra de Deus, visitas às celas, catequese, direção espiritual, celebração da missa e administração dos sacramentos.

“Também procuramos escutar a realidade dessas pessoas. Muitas vezes o que elas mais precisam é de alguém que as escute”, explica.

Outro aspecto importante do trabalho é o cuidado com a dignidade humana dos encarcerados. “Nós não vamos ao presídio para perguntar o que a pessoa fez. Perguntamos o nome, damos a mão, abraçamos. Porque gente para lembrar o erro sempre vai existir. O que essas pessoas precisam é de acolhimento para que possam recomeçar”, afirma.

A pastoral também procura acompanhar os policiais penais, reconhecendo os desafios enfrentados no ambiente prisional. Para eles são realizados momentos de oração, partilha e convivência. Além disso, a Igreja busca ampliar o acompanhamento às famílias dos detentos, que muitas vezes também sofrem com a dor e o peso da situação.

“O sofrimento não atinge apenas quem está preso. A família vive cada momento daquela pena também. Por isso queremos criar caminhos para estar mais próximos dessas pessoas e oferecer apoio espiritual”, diz o padre.

O próprio assessor diocesano recorda que sua primeira experiência dentro de um presídio aconteceu ainda durante o período de formação no seminário. Na ocasião, ele percebeu que muitas ideias que tinha sobre a realidade carcerária eram marcadas por preconceitos.

“Quando eu cheguei lá, percebi que são pessoas como eu e você, com histórias, alegrias e dramas. A presença da Igreja ali é justamente levar Deus para aquele lugar e lembrar que todos têm a possibilidade de recomeçar”, recorda.

Diante da necessidade de ampliar esse trabalho, a Pastoral Carcerária da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim também convida novos voluntários para colaborar na missão. Os interessados podem participar de encontros de formação e contribuir de diversas formas, seja nas visitas aos presídios, no acompanhamento espiritual ou no apoio às famílias dos detentos.

Para o padre João Vitor, a presença da Igreja nas prisões não tem motivação política ou ideológica, mas nasce diretamente do Evangelho. “Nós estamos lá porque Jesus pediu. Ele disse que estaria presente também nos que estão presos. Por isso reconhecemos Cristo em cada pessoa privada de liberdade”, afirma.

Ao final, o sacerdote deixa um apelo para que a sociedade olhe para essa realidade com mais misericórdia e esperança. “Todos erram e todos têm direito a uma nova oportunidade. A Pastoral Carcerária acredita que cada pessoa pode recomeçar. Se Jesus estivesse hoje entre nós, tenho certeza de que Ele também estaria nos cárceres”, conclui.

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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