Juventude no centro: CEBs preparam Intereclesial de 2027 com olhar para o futuro

Continua neste sábado, 31 de janeiro, a Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), encontro que reúne dezenas de lideranças de todas as regiões do Brasil para refletir, articular e planejar os próximos passos da caminhada das CEBs no país. A atividade segue até o domingo, 1º de fevereiro, e integra um processo amplo de preparação do 16º Encontro Intereclesial das CEBs, previsto para acontecer em 2027, no Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB). O encontro nacional é considerado um dos momentos mais importantes da vida das CEBs e mobiliza comunidades, pastorais e organismos da Igreja em todo o território brasileiro.

A Ampliada Nacional acontece a cada quatro anos e tem a missão de animar, avaliar e orientar a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base, garantindo unidade na diversidade das realidades regionais. O último encontro desse porte foi realizado em 2023 e, agora, com a proximidade do próximo Intereclesial, a reunião ganha um caráter estratégico ainda maior. Para Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, Bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, a Ampliada é um espaço fundamental de discernimento coletivo e de organização do processo que culminará no grande encontro de 2027. “O objetivo dessa Ampliada Nacional é a preparação do 16° Intereclesial que vai acontecer em julho na Diocese de Cachoeiro”, afirmou.

Segundo Dom Luiz, essa preparação se dá em várias frentes e envolve tanto a articulação nacional quanto o compromisso local. A Ampliada Nacional reúne representantes de todos os regionais das CEBs do Brasil, garantindo que as diferentes experiências, desafios e expectativas das comunidades estejam presentes nas decisões. Ao mesmo tempo, no âmbito local, o Regional Leste 3 e a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim assumem responsabilidades diretas na organização do encontro. Para isso, já foi constituído um secretariado regional, encarregado de encaminhar as questões práticas e operacionais. “Vai caber a nós, enquanto regional, e mais especificamente à Diocese de Cachoeiro, montar todas as comissões que vão trabalhar em vista do encontro. Estamos falando de comissões de infraestrutura, acolhimento, comunicação, liturgia, metodologia e tantas outras. Esse momento é uma preparação mais remota, mas muito concreta, porque agora falta pouco mais de um ano”, explicou o bispo.

Um dos eixos centrais da programação da Ampliada Nacional é a discussão aprofundada do texto-base do 16º Encontro Intereclesial. Esse documento será o principal instrumento de reflexão das CEBs em todo o Brasil ao longo dos próximos anos. O texto reúne cerca de vinte temáticas e apresenta a juventude como eixo transversal do encontro, dialogando com os desafios atuais da Igreja, da sociedade e da própria caminhada das CEBs. “Ele (texto-base) está muito rico e traz temáticas todas voltadas para a juventude, que está no centro do tema do Intereclesial. Esses temas depois serão enviados para todas as comunidades eclesiais de base do Brasil, para que possam refletir e se preparar”, destacou Dom Luiz.

Ao abordar a importância da Ampliada Nacional neste momento da caminhada da Igreja no Brasil, o Bispo de Cachoeiro ressaltou que os encontros das CEBs não podem ser compreendidos como eventos isolados, mas como parte de um processo contínuo de escuta, reflexão e ação. Segundo ele, a Ampliada funciona como uma grande equipe nacional, formada por cerca de 60 pessoas, que ajuda a conduzir e animar a caminhada das comunidades de base. “Os encontros não são eventos, são processos. Eles nos ajudam a refletir como anda a caminhada das nossas comunidades no Brasil e nos dão luzes para que possamos melhorar essa caminhada”, afirmou. Ele lembrou ainda que antes de um encontro nacional são realizados encontros locais, diocesanos e regionais, num movimento que parte das bases e retorna a elas com orientações comuns, respeitando cada realidade.

A programação deste sábado inclui também visitas técnicas aos espaços que irão acolher as atividades do 16º Encontro Intereclesial. Na manhã deste dia 31, os participantes da Ampliada visitaram locais destinados às oficinas temáticas, às celebrações e às grandes atividades do encontro. Entre eles está o Parque de Exposições do Aeroporto, em Cachoeiro de Itapemirim, que sediará o evento principal e receberá o nome simbólico de “Estação Central CEBs do Brasil”. A escolha do nome reforça a ideia do Intereclesial como um grande ponto de chegada e partida, onde comunidades de todo o país se encontram, partilham experiências e renovam compromissos.

A preparação do 16º Encontro Intereclesial é entendida como um processo que envolve o antes, o durante e o depois do encontro. Essa perspectiva foi reforçada por Marilza José Lopes Schuina, do Setor CEBs da Comissão para o Laicado da CNBB. Para ela, a Ampliada Nacional é o espaço onde se constroem os principais encaminhamentos práticos e metodológicos necessários neste momento. “Não se pensa apenas na realização do encontro como um evento, mas como um processo em construção que serve para a animação da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil”, afirmou.

Segundo Marilza, durante a Ampliada estão sendo definidos encaminhamentos fundamentais, como a definição do número de vagas de cada delegação regional e o planejamento da logística para acolher representantes de todas as regiões do país. “Num encontro intereclesial participam comunidades de todos os cantos do Brasil. Por isso, precisamos pensar quantas pessoas virão de cada lugar, como essas pessoas vão chegar a Cachoeiro de Itapemirim e como será o percurso metodológico do encontro”, explicou. Também estão sendo discutidas a grade de trabalho dos dias do encontro, o caminho metodológico que orientará as reflexões e a organização das equipes de serviço responsáveis por infraestrutura, acolhimento, liturgia, comunicação e animação pastoral.

A centralidade da juventude como eixo do 16º Encontro Intereclesial também orienta as prioridades da atuação das CEBs nos próximos anos. Dom Gabriel Marchesi, Bispo Referencial da CNBB para as Comunidades Eclesiais de Base, destacou que 2026 será um ano decisivo para transformar a reflexão em prática concreta nas comunidades. “Os intereclesiais são momentos especiais, mas não isolados da caminhada. Neste ano, além das iniciativas próprias de cada regional, nós vamos iniciar de fato a vivenciar o intereclesial, não apenas no estudo do texto-base, mas sobretudo na prática”, afirmou.

Para Dom Gabriel, o grande desafio está em aprofundar o diálogo com a juventude de forma verdadeira, aberta e não instrumental. Ele ressaltou que as CEBs são chamadas não apenas a transmitir valores e experiências acumuladas ao longo dos anos, mas também a aprender com os jovens e a se deixar interpelar por suas vivências e pela leitura que fazem da realidade. “Reaprender a ser CEBs junto com a juventude é fundamental. O diálogo com os jovens não pode ser apenas para ensinar, mas também para aprender. As novidades vêm junto com a juventude, e precisamos escutar, reaprender e testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo hoje, numa sociedade cheia de desafios e transformações”, afirmou. Segundo ele, esse processo é essencial para que o Intereclesial de 2027 não seja um momento isolado, mas expressão de uma caminhada contínua e fiel à missão.

Desde o seu surgimento, na década de 1960, as Comunidades Eclesiais de Base são reconhecidas por integrar fé e vida, aproximando a Igreja do cotidiano do povo e estimulando a participação comunitária, social e cidadã. Ao longo de sua história, as CEBs têm sido espaço de leitura popular da Bíblia, de organização comunitária e de compromisso com a justiça social. Os Encontros Intereclesiais, iniciados em 1975, em Vitória, tornaram-se, ao longo de quase cinco décadas, referência nacional para a articulação das comunidades eclesiais, acompanhando as mudanças sociais, culturais e pastorais do Brasil.

Segundo a articulação nacional das CEBs, o 16º Encontro Intereclesial representa não apenas um marco histórico, mas também uma oportunidade de aprofundar debates sobre temas contemporâneos. A organização do encontro envolve diversas comissões e centenas de pessoas em todo o país, reafirmando o caráter participativo e comunitário das CEBs.

Ao se aproximar do encerramento da Ampliada Nacional neste domingo, o clima que se percebe é de esperança. Cada comunidade, cada regional, cada liderança presente nesta Ampliada representa um vagão desse trem coletivo das CEBs, construído na diversidade, mas guiado por um mesmo horizonte. Há vagões antigos, carregados de memória, luta e resistência; há vagões novos, cheios de juventude, perguntas, sonhos e possibilidades. Todos seguem no mesmo trilho, impulsionados pela mística que une fé e vida e pela certeza de que a caminhada só faz sentido quando é feita em conjunto.

Cachoeiro de Itapemirim, que se prepara para acolher o 16º Intereclesial em 2027, torna-se desde já uma grande estação de encontro, onde histórias se cruzam, experiências se partilham e novos rumos são traçados. Não é um ponto final, mas uma parada necessária para revisar mapas, abastecer esperanças e ouvir o apito que anuncia novos tempos. O trem das CEBs não para; ele segue, atravessando gerações, territórios e desafios, atento aos sinais da realidade e aberto às novidades que brotam, especialmente da juventude.

 

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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