Bispo de Cachoeiro integra comissão da CNBB recebida pelo Papa Leão XIV

O bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, participou, nesta segunda-feira, 12 de janeiro, de uma audiência com o Papa Leão XIV, no Vaticano. O encontro reuniu os membros da Comissão Episcopal para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e teve como centro a partilha missionária e os desafios da Igreja no mundo contemporâneo.

Na saudação ao Santo Padre, Dom Luiz esteve ao lado do presidente da Comissão, Dom Maurício da Silva Jardim, bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT), de Dom Esmeraldo Barreto de Farias, arcebispo-bispo emérito da Diocese de Araçuaí (MG), e de Dom Paolo Andreolli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém (PA). Os bispos agradeceram a acolhida do Pontífice e destacaram o caráter privilegiado do momento de diálogo e comunhão.

Durante a audiência, Dom Maurício da Silva Jardim ressaltou a importância do encontro e afirmou que a Comissão viveu “a graça de se encontrar com o Papa Leão XIV”. Segundo o presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, o momento permitiu apresentar e partilhar com o Santo Padre toda a atuação do organismo episcopal. “Nós apresentamos para ele e partilhamos toda a atuação da Comissão em três frentes: a animação missionária, a cooperação intereclesial e a pastoral dos brasileiros no exterior”, destacou.

Dom Maurício também relatou que o Papa Leão XIV escutou atentamente as partilhas e acolheu os materiais entregues pela Comissão. Entre eles, estavam o Programa Missionário Nacional, o Projeto Igrejas Irmãs, o texto Aprender a Ser Missionário Seminarista e os subsídios dos Conselhos Missionários. “O Papa nos fez perguntas, nos escutou muito atento, nos acolheu, e nós ouvimos dele palavras muito bonitas sobre a sinodalidade e a missionariedade. Para a nossa Comissão, esse encontro foi uma verdadeira bênção”, afirmou o bispo.

Ao longo do diálogo, os membros da Comissão manifestaram gratidão ao Papa Leão XIV pela centralidade dada à missionariedade e à sinodalidade, temas que marcaram o consistório por ele convocado. Também reconheceram a relevância do ciclo de catequeses iniciado na semana anterior sobre o Concílio Vaticano II, apresentado pelo Pontífice como uma profecia viva e atual, capaz de ajudar a Igreja a redescobrir a beleza e a força desse grande acontecimento eclesial.

Os bispos ressaltaram que essa reflexão está profundamente em sintonia com o trabalho da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, que enfrenta desafios como a pluralidade étnica e cultural, as novas subjetividades, o compromisso com uma evangelização decididamente missionária, o reconhecimento das novas identidades religiosas, o empobrecimento e o cuidado com a casa comum, além dos desafios no ambiente digital.

Um dos momentos mais significativos da audiência foi a intervenção de Dom Luiz Fernando Lisboa, que deu especial destaque à realidade das guerras no continente africano. O bispo de Cachoeiro pediu ao Papa que falasse mais sobre os conflitos na África, frequentemente motivados pela exploração de recursos naturais e pouco abordados no Brasil e em outras partes do mundo. Dom Luiz lembrou que apenas em Cabo Delgado há cerca de um milhão de deslocados, enquanto o Sudão soma aproximadamente 13 milhões de refugiados. Para o prelado, não basta apenas denunciar essas guerras, mas é necessário um compromisso concreto com um povo “tão massacrado e que precisa tanto de apoio”.

Ainda durante a audiência, os membros da Comissão convidaram oficialmente o Papa Leão XIV para participar do 7º Congresso Americano Missionário (CAM), que será realizado de 14 a 18 de novembro de 2029, na Arquidiocese de Curitiba (PR), com o tema “América em saída: Povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”. O Congresso tem como objetivo impulsionar as Igrejas particulares do continente, fortalecendo a experiência sinodal e a cooperação com a Missio Dei nas fronteiras.

Na sequência, os bispos apresentaram ao Pontífice a atuação da Comissão Episcopal para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, organismo constitutivo da CNBB que caminha em comunhão com as demais comissões episcopais. A Comissão atua em três frentes principais: Animação Missionária, Cooperação Intereclesial e Pastoral dos Brasileiros no Exterior.

Também foram detalhados o Programa Missionário Nacional e o Projeto Igrejas Irmãs. O primeiro é um instrumento oferecido pela Igreja no Brasil às Igrejas locais para responder, à luz da Palavra de Deus e do Magistério, aos desafios pastorais do tempo presente. Já o Projeto Igrejas Irmãs, inspirado no Concílio Vaticano II, promove a cooperação missionária entre Igrejas particulares, fortalecendo a partilha de dons, pessoas e recursos, especialmente em contextos mais desafiadores, com clareza, corresponsabilidade e fidelidade à Missio Dei.

Outro ponto apresentado ao Papa foi a realidade da formação presbiteral no Brasil. Atualmente, o país conta com mais de 8.041 seminaristas maiores — 5.317 diocesanos e 2.724 religiosos — número considerado pequeno diante da extensão territorial brasileira. A formação missionária desses futuros presbíteros foi apontada como um dos grandes desafios, especialmente para ajudá-los a compreender que a missão é eixo central da vida cristã e do ministério presbiteral.

Por fim, recordou-se que os Congressos Americanos Missionários têm origem nos Congressos Missionários Latino-Americanos (COMLA), realizados pela primeira vez em 1977, no México. Promovidos pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), esses encontros de alcance continental reúnem representantes das Igrejas dos 22 países da América, do Dicastério para a Evangelização e do legado pontifício, fortalecendo a comunhão missionária em todo o continente.

 

Fotos

Os membros da Comissão Episcopal para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial com o Papa Leão XIV (@Vatican Media)
Os membros da Comissão Episcopal para Ação Missionária na Praça São Pedro (@Vatican Media)

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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