Quinta-feira Santa abre o Tríduo Pascal e recorda a instituição da Eucaristia

A Quinta-feira Santa marca o início do Tríduo Pascal, período mais importante do calendário litúrgico da Igreja Católica, quando os fiéis celebram a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A data é marcada por duas celebrações centrais: pela manhã, a Missa da Unidade Diocesana com a bênção dos Santos Óleos; e à noite, a Missa da Ceia do Senhor, que recorda a última ceia de Jesus com os apóstolos.

Segundo o assessor diocesano da Pastoral Litúrgica, Pe. Cristian Vieira Batista, a liturgia deste dia reúne momentos fundamentais para a vida da Igreja. “Pela manhã, a Missa da Unidade Diocesana e a bênção dos Santos Óleos, e à noite nós celebramos o início do Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor e o rito do Lava-pés”, explica o sacerdote.

Bênção dos óleos e unidade da Igreja

A Missa celebrada na manhã da Quinta-feira Santa é conhecida como Missa dos Santos Óleos ou Missa do Crisma. Durante a celebração, o bispo diocesano consagra e abençoa três óleos utilizados ao longo de todo o ano nas celebrações sacramentais da Igreja.

“Essa celebração é muito importante para nós, porque são com estes óleos que serão utilizados ao longo de todo o ano, até a Páscoa do ano que vem, nas celebrações sacramentais como o batismo, a confirmação, a unção dos enfermos e também nas ordenações sacerdotais”, destaca o padre.

Os três óleos têm significados específicos na vida espiritual da Igreja:

Óleo dos Catecúmenos: utilizado no batismo, simboliza a força e a proteção de Deus diante das tentações e desafios da vida.
Óleo dos Enfermos: expressa a presença de Cristo que consola e fortalece os doentes.
Óleo do Crisma: usado na crisma, no batismo e nas ordenações sacerdotais, representa a plenitude do Espírito Santo.

Durante esta mesma missa também ocorre a renovação das promessas sacerdotais, quando os padres reafirmam publicamente, diante do bispo e da comunidade, o compromisso assumido no dia da ordenação.

Início do Tríduo Pascal

À noite, a Igreja inicia oficialmente o Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor. De acordo com Pe. Cristian, é importante compreender que esses três dias formam uma única grande celebração.

“O Tríduo Pascal é uma única celebração em três dias. Ele começa na quinta-feira, passa pela Sexta-feira Santa e termina somente no Sábado Santo, na Vigília Pascal”, explica.

A liturgia recorda o momento em que Jesus, reunido com seus discípulos, celebrou a Páscoa judaica e instituiu dois sacramentos centrais da Igreja: a Eucaristia e o sacerdócio.

O gesto do Lava-pés

Um dos momentos mais marcantes da celebração é o rito do Lava-pés, inspirado no gesto de humildade de Jesus ao lavar os pés dos apóstolos.

Segundo o sacerdote, esse gesto se consolidou ao longo da história da Igreja. “O rito do lava-pés iniciou-se antigamente como uma liturgia separada da Santa Missa, mas depois foi incorporado pouco a pouco à celebração da Ceia do Senhor”, afirma.

Além de recordar um acontecimento bíblico, o gesto simboliza o serviço, a humildade e o amor fraterno que devem marcar a vida cristã.

Da alegria ao silêncio

Durante a celebração da Quinta-feira Santa, a liturgia apresenta uma mudança de clima espiritual. No início, os fiéis voltam a cantar o Glória, que havia sido silenciado durante a Quaresma.

“Esse dia começa de forma solene e vibrante, porque celebramos a instituição da Eucaristia. Mas ao longo da missa a liturgia assume um tom mais introspectivo e sóbrio, porque já entramos na paixão de nosso Senhor Jesus Cristo”, explica Pe. Cristian.

Ao final da missa ocorre a transladação do Santíssimo Sacramento, quando a Eucaristia é levada em procissão para um local de adoração, onde os fiéis permanecem em vigília durante a noite.

Esse gesto tem um significado especial, pois na Sexta-feira Santa não há celebração da missa. “As reservas eucarísticas são separadas para a comunhão da Sexta-feira Santa, que é o único dia do ano em que não se celebra a Eucaristia”, explica o sacerdote.

Depois disso, acontece o desnudamento do altar, quando flores, toalhas e elementos decorativos são retirados, sinalizando o início do clima de silêncio e recolhimento que marca os momentos finais da paixão de Cristo.

Convite à participação

Para o assessor da Pastoral Litúrgica, participar das celebrações do Tríduo Pascal é fundamental para compreender o centro da fé cristã.

“Viver a Quinta-feira Santa é o meio pelo qual temos de adentrar o mistério de Cristo integralmente. Permanecer com Ele em vigília e acompanhar todo o caminho da paixão, morte e ressurreição é essencial para nossa fé”, conclui Pe. Cristian.

A Igreja convida os fiéis a participarem ativamente das celebrações, vivendo com profundidade espiritual os dias que conduzem à alegria da Ressurreição no Domingo de Páscoa.

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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