A Igreja Católica inicia, nos próximos dias, a celebração da Semana Santa. Durante as missas do sábado que antecede o Domingo de Ramos e do próprio domingo acontece, em todo o país, a Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade que convida os fiéis a transformar a esmola quaresmal em uma ação efetiva de apoio aos mais vulneráveis. A iniciativa busca despertar o senso de fraternidade e fortalecer ações sociais promovidas pela Igreja em diferentes regiões do Brasil.
De acordo com o Vigário Episcopal para a Ação Social da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, padre Evaldo Praça Ferreira da Silva, o período marca também o início da Semana Santa, momento em que os cristãos são convidados a aprofundar a vivência da fé e refletir sobre a realidade social. “A Campanha da Fraternidade nos chama a uma conversão social, para que possamos ouvir e enxergar os apelos da sociedade, sobretudo daqueles que mais precisam. É um convite para que a nossa fé se traduza em atitudes concretas de solidariedade”, afirma.
A arrecadação é destinada ao Fundo Nacional de Solidariedade e também aos fundos diocesanos, que apoiam projetos sociais em todo o país. Parte dos recursos permanece na própria diocese e contribui diretamente para iniciativas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o padre, esses valores ajudam a manter diversas ações sociais já desenvolvidas pela Igreja. “Aqui na nossa diocese nós temos projetos que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social, jovens, pessoas em situação de rua e também instituições que acolhem idosos. A coleta ajuda a sustentar essas iniciativas e a ampliar a presença da Igreja nesses espaços”, explica.
Do total arrecadado, 60% permanecem na diocese para apoiar projetos locais e 40% são destinados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que administra o Fundo Nacional de Solidariedade. Os recursos são aplicados em iniciativas sociais selecionadas por meio de edital, que estabelece critérios técnicos, administrativos e jurídicos para a escolha das propostas.
A participação dos fiéis acontece durante as celebrações do fim de semana de Ramos. Em muitas paróquias, envelopes específicos da campanha são distribuídos previamente, mas qualquer oferta realizada nas missas desses dias é destinada à coleta. Para quem não recebeu o envelope ou não puder participar da celebração, também é possível entregar a contribuição posteriormente na paróquia, identificando a doação como destinada à Coleta da Solidariedade.
Em 2025, o Fundo Nacional de Solidariedade recebeu R$ 8.268.042,83. Desse total, R$ 7.236.241,90 foram investidos no apoio a 234 projetos aprovados, que beneficiaram diretamente 201.446 pessoas e alcançaram outras 717.523 de forma indireta em diversas regiões do país.
Para o padre Evaldo, o gesto de contribuir vai além da doação financeira e representa um compromisso com a transformação social. “Quando partilhamos aquilo que temos, ajudamos a devolver dignidade a muitas pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade. Esse gesto nos torna mais conscientes da realidade do outro e reforça o chamado do Evangelho para viver a caridade”, conclui.